POLÍTICA | Secretário apela ao mercado por justiça com trabalhador negro

O deputado estadual e líder da bancada do PSDB na Alesp, Roberto Massafera, participou ontem (18) em Matão de atividade da semana de Consciência Negra. O secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Márcio Elias Rosa, proferiu palestra com o tema Cidadania e destacou que as políticas públicas não bastam para corrigir a dívida social do Brasil com o povo negro.

A abertura da exposição Fronteiras do Baú é uma iniciativa do diretor de Difusão Cultural e ativista negro de Matão, João Bento, o Cucão. Também presentes estavam o prefeito Edinardo Esquetini e secretários municipais; o presidente da Câmara Municipal, Valter Luiz Trevizaneli, e demais vereadores; além da coordenadora de Políticas Públicas para as Comunidades Negra e Indígena da Secretaria da Justiça, Elisa Lucas Rodrigues. O evento foi prestigiado por boa parte da comunidade negra de Matão.

Elias Rosa defendeu que a iniciativa privada precisa se conscientizar e valorizar o trabalhador negro. “Não é só o Estado que cuida da vida das pessoas, é também o mercado, o emprego.” O secretário comentava as desigualdades estatísticas entre negros e brancos no mercado de trabalho brasileiro. Com uma população 54% negra, apenas 4,5% dos negros ocupam cargos executivos de grandes empresas.

A distribuição de renda é flagrantemente racista: 79% dos brasileiros mais ricos, o 1% do topo da pirâmide econômica, são brancos. Entre os trabalhadores com nível superior e na mesma função, os homens brancos ganham 30% mais que os negros. Entre as mulheres com formação superior, a desigualdade de renda é ainda maior, 40%.

“O Brasil foi o País que mais escravizou. Trouxemos 5 milhões de pessoas em quase 400 anos de escravidão. Com a abolição, esses negros se tornaram livres para continuar na exclusão, livres para morrer de fome. Na questão do negro, da discriminação, preconceito e igualdade, o Brasil tem um longo resgate a fazer”, reconheceu o secretário de Justiça.

Em sua fala, o deputado Roberto Massafera destacou que as guerras por poder sempre escravizaram os povos vencidos na história da humanidade. “No Brasil, 129 anos depois da abolição, os negros não tiveram Educação, não tiveram terras para viver, ficaram abandonados. É essa a enorme dívida social que precisamos resgatar.”

Massafera lembrou ainda que somente há poucos anos, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2003), o Brasil reconheceu essa dívida com a população negra e começou a implantar políticas sociais afirmativas.

Entre os estados, São Paulo foi pioneiro. A lei 14.187/2010 estabelece uma multa administrativa de até R$ 70 mil em casos de racismo, independente das sanções criminais cabíveis. Ainda na gestão do governador Geraldo Alckmin, as universidades públicas começaram a implantar políticas de cotas. Na próxima semana, a secretaria de Justiça finaliza o processo de reconhecimento da 39ª comunidade quilombola do Estado, a de Biguazinho no Vale do Ribeira. 

Exposição 

A Exposição Fronteiras do Baú traz uma série de documentos, objetos, roupas e obras de arte do colecionador Vanderlen Amaral da Costa. Morador de Lavras do Sul (RS), o acervo foi coletado durante mais de 60 anos e conta a história dos negros no País. A exposição ficará na Casa da Cultura Prefeito Armando Bambozzi, no Centro de Matão, até o dia 30 de novembro.

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