O conflito no Oriente Médio, as perspectivas de crescimento da economia mundial e os dados mais recentes do mercado de trabalho formal compõem o foco da análise divulgada no Informativo Econômico da Associação Comercial e Industrial de São Carlos (ACISC), publicado nesta sexta-feira (6). O documento, elaborado pelo Núcleo Econômico da entidade, avalia o cenário internacional e seus possíveis reflexos na economia brasileira e regional.
Segundo o economista do Núcleo Econômico da ACISC, Elton Casagrande, o primeiro ponto de atenção está relacionado às tensões geopolíticas no Oriente Médio e aos possíveis impactos sobre o mercado internacional de energia.
“O conflito na região pode afetar diretamente a oferta de petróleo e, consequentemente, os preços internacionais dos combustíveis. Como o petróleo está presente em diversas cadeias produtivas, qualquer oscilação relevante tende a gerar efeitos em escala global”, explicou.
De acordo com a análise, além da questão energética, a duração do conflito é considerada um fator determinante para avaliar o impacto econômico. Também entram na equação possíveis desgastes diplomáticos que podem influenciar as relações comerciais entre países.
Expectativas de crescimento econômico
Outro aspecto abordado no informativo é o ritmo de crescimento econômico esperado para diferentes regiões do mundo, incluindo Brasil, América do Sul, Europa, Estados Unidos e países em desenvolvimento.
Casagrande observa que as projeções atuais indicam crescimento moderado, cenário que pode limitar avanços mais significativos na redução das desigualdades sociais e na geração de novas oportunidades.
“As taxas de crescimento precisam ser suficientes não apenas para acompanhar o crescimento populacional, mas também para repor equipamentos depreciados e ampliar a capacidade produtiva das economias. Em muitos países, o crescimento projetado ainda não é suficiente para enfrentar desafios estruturais como desigualdade social e endividamento público”, afirmou.
Segundo o economista, esse contexto tende a gerar um ambiente de investimentos privados mais cauteloso, diante de um cenário global marcado por forte competição comercial, concentração de renda e altos níveis de dívida pública.
Emprego formal em São Carlos
Apesar das incertezas no cenário internacional, os dados do mercado de trabalho apontam estabilidade na economia local. As estatísticas do Ministério do Trabalho indicam que São Carlos registrou saldo positivo na geração de empregos formais em janeiro de 2026.
No período, foram criadas pouco mais de 100 vagas com carteira assinada no município, elevando o estoque total para 89.872 vínculos empregatícios.
O resultado representa uma recuperação após a redução observada em dezembro, mês em que tradicionalmente ocorre maior volume de desligamentos nas empresas.
Outro dado destacado pelo levantamento é o percentual de trabalhadores formais na cidade. Atualmente, cerca de 33% da população total de São Carlos possui carteira assinada, índice superior à média nacional, estimada em aproximadamente 28%.
A análise setorial mostra que, em janeiro, os setores da indústria, construção civil e serviços apresentaram saldo positivo de contratações. Já a agropecuária e o comércio registraram mais demissões do que admissões.
De acordo com Casagrande, o desempenho da indústria tem sido um dos principais motores da economia local.
“A indústria continua sendo um setor importante para a dinâmica econômica de São Carlos e da região Sudeste. Esse segmento tem mostrado capacidade de geração de empregos e de sustentação da atividade econômica”, destacou.
Visão do comércio
Para a presidente da ACISC, Ivone Zanquim, o informativo econômico busca oferecer uma leitura abrangente do cenário que influencia diretamente o ambiente de negócios.
“O objetivo é ajudar empresários, comerciantes e a própria comunidade a compreender melhor os fatores que impactam a economia, desde os acontecimentos internacionais até a realidade do mercado de trabalho local”, afirmou.
Segundo ela, o acompanhamento constante desses indicadores é fundamental para o planejamento empresarial e para a tomada de decisões.
“Entender o cenário econômico permite que os empreendedores se preparem melhor para os desafios e também para as oportunidades que surgem no mercado”, concluiu.















