1931 - Primeira Diretoria ACISC / Crédito: Acervo da ACISC
Fundada em 22 de fevereiro de 1931, a Associação Comercial e Industrial de São Carlos (ACISC) chega aos 95 anos com uma trajetória diretamente ligada à construção econômica, social e institucional do município. Nascida da união de empresários que, ainda na década de 1920, perceberam que o crescimento da cidade dependia da organização coletiva da classe produtiva, a entidade consolidou-se como uma das principais vozes do empreendedorismo local.
Antes mesmo da formalização, em 1931, um grupo de 22 empresários já articulava ações para fortalecer o comércio e a indústria. Esse movimento marcou o início de uma atuação que acompanharia — e muitas vezes impulsionaria — momentos decisivos da história de São Carlos. Entre os protagonistas daquele período estavam lideranças empresariais ligadas à instalação da primeira fábrica de lápis da América Latina, embrião do que se tornaria a Faber-Castell no Brasil, além do surgimento de indústrias pioneiras como a Irmãos Pereira Lopes, responsável pelos primeiros compressores herméticos nacionais.
Ao longo das décadas, a ACISC participou ativamente de debates e mobilizações que contribuíram para a transformação urbana e econômica da cidade. A entidade esteve presente em movimentos por melhorias na infraestrutura, expansão dos serviços telefônicos e energéticos, asfaltamento de rodovias e apoio à instalação de instituições de ensino superior, incluindo iniciativas que fortaleceram o ambiente educacional e tecnológico que caracteriza São Carlos atualmente. Em 1953, foi reconhecida como entidade de utilidade pública municipal, reforçando sua relevância institucional.
Mais do que acompanhar o crescimento da cidade, a associação ajudou a moldar sua identidade comercial. Um dos exemplos mais marcantes é o Dia do Freguês, criado em 1974, iniciativa voltada à valorização da relação entre comerciantes e consumidores. A proposta ultrapassou os limites locais e inspirou campanhas semelhantes em diversas cidades brasileiras, consolidando-se como parte da cultura do comércio nacional.
Com o avanço das transformações econômicas e tecnológicas, a ACISC ampliou sua atuação. A modernização do Serviço de Proteção ao Crédito nos anos 1980, a expansão de serviços empresariais e a inauguração do Palácio do Comércio “Miguel Damha”, em 2007, simbolizam a adaptação da entidade às novas demandas do mercado. Ao mesmo tempo, manteve seu papel histórico de articulação coletiva, conectando empresários, poder público e comunidade.
Em momentos de crise, essa capacidade de mobilização tornou-se ainda mais evidente. Durante a pandemia de Covid-19, a entidade coordenou campanhas solidárias, arrecadou recursos para instituições de saúde, distribuiu máscaras e apoiou ações voltadas à retomada econômica responsável, contribuindo para a continuidade das atividades comerciais em um cenário de incerteza global.
Outro marco importante foi a criação, em 2001, do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), iniciativa pioneira no interior paulista que ampliou a participação feminina no ambiente empresarial e fortaleceu redes de colaboração entre empreendedoras. Décadas depois, esse movimento ganhou novo significado com a eleição da primeira mulher à presidência da entidade, representando a continuidade de uma trajetória marcada pela evolução social e institucional. “É uma responsabilidade imensa estar à frente de uma instituição que ajudou a construir São Carlos. Nenhuma conquista foi individual; são 95 anos construídos por muitas mãos”, afirma.
Hoje, a ACISC reúne milhares de empresas de diferentes portes e segmentos, atuando como um ponto de conexão entre negócios, conhecimento e desenvolvimento regional. Mais do que uma entidade de classe, tornou-se um espaço de orientação, inovação e construção coletiva.
Ao completar 95 anos, a associação reafirma o propósito que motivou sua criação: unir empresários para fortalecer a cidade. Em uma história construída por diferentes gerações, a trajetória da ACISC demonstra que o desenvolvimento sustentável não nasce de iniciativas isoladas, mas da capacidade de caminhar junto — preservando o legado do passado enquanto prepara São Carlos para os desafios do futuro.


















