



















A Câmara Municipal de São Carlos realizou, na noite de segunda-feira (30), no Teatro Municipal, a maior audiência pública de sua história e transformou o debate sobre o enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher em um marco institucional para o município. Com a presença de cerca de 450 pessoas, o encontro evidenciou a força da mobilização social em torno de um tema urgente e reafirmou a necessidade de ações permanentes, articuladas e efetivas.
A relevância da audiência se insere em um contexto nacional ainda alarmante. Dados oficiais apontam que o Brasil registrou 1.450 feminicídios em 2024. Em São Paulo, levantamento divulgado pela Secretaria da Segurança Pública mostrou 233 mulheres vítimas de feminicídio entre janeiro e novembro de 2025, reforçando a gravidade do problema e a necessidade de respostas integradas entre Estado e sociedade.
Com ampla adesão de diferentes segmentos, a audiência consolidou um ambiente plural de escuta, reflexão e compromisso público. Compuseram a mesa o presidente da Câmara, Lucão Fernandes, e o vereador Lineu Navarro, coautor da iniciativa; o vice-prefeito Roselei Françoso; a secretária municipal Andrea Valdevite; o defensor público Jonas Zoli Segura; a dirigente regional de ensino Débora Gonzalez; o promotor de Justiça Sérgio Domingos de Oliveira; além de lideranças comunitárias e representantes de instituições ligadas à proteção das mulheres.
A diversidade religiosa também teve papel de destaque na construção do encontro. Participaram Éder Garcia, padre Marcos Ghidelli, Antônio Almeida e a yalorixá Luciana, em uma demonstração de unidade rara e simbólica diante de uma pauta que exige sensibilidade, responsabilidade e ação coletiva. A presença de diferentes credos reforçou a compreensão de que o combate à violência contra a mulher precisa atravessar não apenas os espaços institucionais, mas também os ambientes comunitários, educacionais e espirituais.
Um dos pontos altos da programação foi a palestra do juiz de direito Paulo César Scanavez, voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Em sua fala, ele destacou a importância de ampliar o debate em escolas, igrejas e demais espaços de formação social, apontando a prevenção como ferramenta indispensável para romper ciclos de violência e construir uma cultura de respeito.
Ao longo da audiência, as manifestações das autoridades convergiram para um entendimento comum: São Carlos precisa avançar de forma organizada, contínua e integrada na formulação de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. O protagonismo assumido pela Câmara Municipal foi reconhecido como decisivo para transformar a mobilização social em ações concretas e permanentes, capazes de produzir resultados efetivos no médio e no longo prazo.
Entre os momentos de maior impacto emocional esteve a exibição de vídeos de conscientização, que retrataram a dura realidade vivida por mulheres em situação de violência. O silêncio atento do público e a forte comoção registrada no teatro mostraram que a audiência ultrapassou o caráter formal de um debate público e assumiu dimensão humana, educativa e transformadora.
Além da discussão, o Legislativo anunciou medidas práticas que deverão fortalecer a rede de informação e proteção no município. Entre elas, estão a criação de um ícone “SOS Mulher” no site oficial da Câmara, facilitando o acesso da população a canais de denúncia e orientação; a implantação de uma cartilha educativa no programa “Visite a Câmara”; e a formação de um comitê interdisciplinar voltado à elaboração, acompanhamento e avaliação de políticas públicas.
Também foram destacados o fortalecimento da Procuradoria da Mulher e a continuidade de ações como palestras, campanhas educativas e ampliação de parcerias em nível municipal e regional. A presença de lideranças de cidades vizinhas, como a prefeita de Itirapina, Dona Graça, reforçou o alcance regional da mobilização e indicou que o debate promovido em São Carlos pode servir de referência para outros municípios.
Outro aspecto considerado estratégico foi o perfil do público presente, formado em grande parte por líderes religiosos, educadores e representantes de instituições. Mais do que espectadores, eles foram apontados como agentes multiplicadores de conscientização, com potencial para levar a discussão a diferentes territórios, ampliar o acolhimento e ajudar a combater o silêncio que ainda cerca muitos casos de violência.
Para o presidente da Câmara, Lucão Fernandes, a audiência representa um divisor de águas na atuação do Legislativo são-carlense. “Essa audiência entra para a história de São Carlos não apenas pelo número expressivo de participantes, mas pela qualidade do debate e pelo compromisso coletivo firmado aqui. A Câmara assume, de forma ainda mais efetiva, o papel de protagonista na construção de políticas públicas que protejam as mulheres e promovam uma cultura de respeito”, afirmou.
Ao final, a Câmara Municipal registrou agradecimento institucional aos veículos de imprensa pela ampla cobertura, bem como às instituições, escolas, entidades religiosas, órgãos públicos e representantes da sociedade civil que contribuíram para o êxito do encontro.
A audiência superou as expectativas de participação e se consolida como um marco na história recente de São Carlos. Mais do que um evento de grande porte, o encontro abriu um novo capítulo no enfrentamento à violência contra a mulher, elevando o patamar da articulação institucional e do engajamento social em defesa da vida, da dignidade e do respeito.




























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