
A Câmara Municipal de São Carlos aprovou, nesta terça-feira (11), dois projetos de lei apresentados pela vereadora Raquel Auxiliadora que atribuem os nomes das escritoras negras Carolina Maria de Jesus e Célia Aparecida Pereira, conhecida como Celinha Pereira, a ruas do município. Familiares das homenageadas acompanharam a votação no plenário.
As propostas são resultado do Processo Participativo e Educativo de Escolha de Nomes de Rua 2026, iniciativa criada pelo mandato da parlamentar com o objetivo de transformar a denominação de vias públicas em uma atividade de formação cidadã. Escolas foram convidadas a discutir com os estudantes quais personalidades são homenageadas pela cidade e quais trajetórias ainda têm pouca presença nos espaços públicos.
Para auxiliar o desenvolvimento das atividades, foi elaborado um caderno pedagógico destinado às unidades de ensino, com orientações para pesquisas e debates sobre memória, representatividade e a relação entre os cidadãos e o território onde vivem. A partir desse trabalho, estudantes e educadores pesquisaram diferentes trajetórias e construíram coletivamente as indicações encaminhadas ao Legislativo.
“Queríamos que uma atribuição do mandato se transformasse em oportunidade de aprendizado e participação. Quando estudantes pesquisam histórias, debatem a cidade e percebem que sua participação pode virar uma lei, estamos falando de educação para a cidadania na prática”, afirmou Raquel Auxiliadora.
As duas personalidades escolhidas têm suas trajetórias ligadas à literatura e à valorização da cultura negra. Carolina Maria de Jesus tornou-se uma das principais escritoras brasileiras do século 20, reconhecida especialmente pelo registro da realidade social brasileira em sua produção literária. Já Célia Aparecida Pereira, a Celinha, teve atuação em São Carlos como professora, poeta e escritora e integrou o primeiro volume da série “Cadernos Negros”.
“Nomear uma rua é decidir quem queremos manter na memória da cidade. Ter Carolina e Celinha no mapa de São Carlos é muito significativo, mas tão importante quanto o resultado foi o caminho: essa decisão nasceu do conhecimento produzido nas escolas e da participação popular”, destacou a vereadora.
Com a aprovação dos projetos, as homenagens construídas a partir das atividades realizadas nas escolas passam a integrar oficialmente o espaço urbano de São Carlos. A iniciativa busca, além de preservar a memória das escritoras, aproximar estudantes do funcionamento do Poder Legislativo e mostrar como a participação da comunidade pode resultar em decisões incorporadas ao cotidiano da cidade.
























