
A partir desta quinta-feira (1º), câmeras com inteligência artificial passam a monitorar motoristas no km 236 da Rodovia Washington Luís (SP-310), em São Carlos, para identificar o uso de celular ao volante e a falta do cinto de segurança. Os equipamentos foram instalados pela Ecovias Noroeste Paulista numa passarela na altura do Posto Esplanada, no Jockey Clube, e vão funcionar 24 horas por dia, nos dois sentidos da rodovia.
A medida chega num trecho que concentra acidentes. Segundo a própria concessionária, o segmento entre os quilômetros 230 e 249, que abrange São Carlos e Ibaté, liderou o número de sinistros na malha administrada pela empresa entre janeiro e agosto de 2026, com 218 ocorrências.
As colisões traseiras continuam sendo o tipo de acidente mais frequente na região. Foram 191 registros nos oito primeiros meses de 2026, contra 193 no mesmo período de 2025, uma queda de apenas dois casos. A concessionária associa esse tipo de acidente à distração ao volante.
Quem multa
De acordo com a Ecovias, a concessionária é responsável pelos equipamentos, pela infraestrutura e pela manutenção do sistema, mas não aplica multas. As imagens, registradas em alta resolução mesmo com veículos em movimento, são analisadas pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv), que decide se houve infração e faz a autuação. Até agora, a fiscalização do cinto dependia da observação direta dos policiais.
Usar o celular ao volante é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH. A falta do cinto é infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos.
Segundo dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) citados pela concessionária, digitar uma mensagem deixa o motorista, em média, 4,5 segundos sem olhar para a pista, o que equivale a quase 100 metros percorridos a 80 km/h. O cinto reduz de 45% a 60% o risco de morte nos bancos dianteiros e de 44% a 75% no banco traseiro.
Discurso de conscientização
O gerente de Atendimento ao Usuário da Ecovias Noroeste Paulista, Gustavo Dávila, afirma que o objetivo é mudar comportamentos. “Mais que identificar irregularidades, a presença dessas câmeras estimula a mudança de hábito do motorista. Quando o condutor entende que o cinto de segurança e a atenção total na pista são inegociáveis, damos um passo gigante para zerar as fatalidades no trânsito”, disse.
Para o 1º tenente Marcelo Ferraz, da PMRv de São Carlos, a tecnologia amplia a capacidade de fiscalização. “A tecnologia permite ampliar o monitoramento das rodovias e identificar, de forma contínua e precisa, comportamentos de risco. Mais que fiscalizar, a presença das câmeras contribui para conscientizar os condutores e estimular uma condução mais responsável”, afirmou.
O que ficou sem resposta
Apesar do discurso de segurança, o material divulgado pela concessionária deixa lacunas importantes. Não informa, por exemplo, por quanto tempo as imagens dos motoristas ficarão armazenadas, quem terá acesso a elas e como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) será cumprida num sistema que filma todos os veículos que passam pelo local, dia e noite.
A concessionária também não explica por que escolheu um único ponto, o km 236, para um trecho de quase 20 quilômetros que lidera os acidentes, nem se há previsão de novas câmeras. Tampouco informa quantos dos 218 sinistros tiveram vítimas fatais, dado essencial para avaliar a meta de “zerar as fatalidades”, nem se estão previstas obras ou melhorias de infraestrutura no trecho, além da fiscalização.
Em caso de emergência na rodovia, os motoristas podem acionar a concessionária pelo telefone e WhatsApp 0800-326-3663, pelos totens de atendimento ou pelo sistema SOS.ECO.BR, que permite pedir socorro pelo celular sem consumir o pacote de dados.
O portal Região em Destake está aberto para que a concessionária possa responder as dúvidas citadas.
























