
O mês de junho é marcado pela campanha Junho Violeta, movimento de conscientização e mobilização da sociedade contra a violência praticada contra a pessoa idosa. A iniciativa tem como referência o dia 15 de junho, instituído pela Organização das Nações Unidas como o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.
A campanha reforça a importância de promover respeito, dignidade e garantia de direitos. Mais do que chamar atenção para a longevidade, o Junho Violeta propõe uma reflexão sobre o papel da sociedade na construção de uma cultura de cuidado, inclusão social, autonomia e valorização da pessoa idosa.
Dados do IBGE apontam o envelhecimento da população brasileira. Pessoas com 60 anos ou mais representam cerca de 16,6% a 17% da população, o equivalente a mais de 35 milhões de brasileiros. Ao mesmo tempo, a base da pirâmide etária encolheu, com a população abaixo de 30 anos caindo para aproximadamente 41% do total. A expectativa de vida nacional já supera os 77 anos.
Os indicadores mostram mudanças estruturais importantes. O número de idosos cresceu quase 60% desde 2012, e as projeções indicam que, em breve, o total de pessoas com 60 anos ou mais deve ultrapassar o número de crianças de até 14 anos. Esse cenário amplia a necessidade de políticas públicas voltadas à qualidade de vida e à proteção integral da população idosa.
A violência contra a pessoa idosa pode ocorrer de diferentes formas, como agressões físicas, violência psicológica, exploração financeira, negligência, abandono, discriminação e violação de direitos. Muitas dessas situações acontecem dentro do próprio ambiente familiar e permanecem invisíveis por medo, dependência emocional ou falta de informação.
Nesse contexto, a informação, a conscientização e a denúncia são ferramentas fundamentais para romper o ciclo da violência. Familiares, vizinhos, profissionais e a comunidade em geral devem estar atentos aos sinais e contribuir para a proteção e garantia dos direitos das pessoas idosas.
No Brasil, a proteção é assegurada pelo Estatuto da Pessoa Idosa, que estabelece direitos fundamentais relacionados à saúde, assistência social, transporte, moradia e convivência comunitária, além de prever medidas de proteção em casos de violação. Denúncias de violência podem ser feitas de forma gratuita e sigilosa pelo Disque 100, canal nacional de atendimento aos direitos humanos.
Para a secretária municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania, Gisele Santucci, o enfrentamento à violência exige compromisso coletivo. “Respeitar, acolher e proteger as pessoas idosas é responsabilidade de todos. Combater a violência é um dever coletivo e um passo essencial para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e humana”, afirmou.
A Prefeitura de São Carlos, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania, também mantém atividades voltadas à terceira idade em unidades como centros de convivência e CRAS. A programação inclui oficinas, rodas de conversa, dança, alongamento, ginástica, fisioterapia, inclusão digital, artesanato, atividades cognitivas, teatro, música, capoeira, pintura em tecido, crochê, costura criativa, entre outras ações.
As atividades são realizadas em diferentes regiões da cidade, incluindo Castelo Branco, Vila São José, Água Vermelha, Maria Stella Fagá, Centro de Referência do Idoso “Vera Lúcia Pilla”, Zavaglia e unidades dos CRAS Aracy, Itatiaia, Jockey Clube, Pacaembu, São Carlos VIII, Santa Eudóxia e Santa Felícia.
A campanha Junho Violeta reforça que a proteção da pessoa idosa depende da atuação conjunta do poder público, das famílias e da sociedade. Ao ampliar o acesso à informação, incentivar a denúncia e oferecer espaços de convivência, São Carlos fortalece a rede de cuidado e valorização da população idosa.






















