
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Carlos concluiu, nesta quarta-feira (30), a investigação sobre a morte da radialista e motorista de aplicativo Edite Alves Bomfim, de 50 anos. Segundo a Polícia Civil, o inquérito classificou o caso como latrocínio — roubo seguido de morte — e foi encaminhado à Justiça após a reunião de provas técnicas, dados de geolocalização, registros de placas, movimentações bancárias e depoimentos.
De acordo com o delegado João Fernando, responsável pelas investigações, as versões apresentadas pelos dois investigados, um homem de 36 anos e uma mulher de 33, foram confrontadas com os demais elementos reunidos pela DIG.
A investigação apontou que o homem teria solicitado a corrida pelo próprio telefone celular. Os dados obtidos durante o inquérito permitiram aos policiais acompanhar parte do trajeto realizado antes e depois do crime.
Após a morte da motorista, segundo a Polícia Civil, o investigado teria seguido com o veículo para Araraquara, onde o cartão bancário pertencente à vítima teria sido utilizado para abastecimento.
Edite morreu atropelada
Um dos principais pontos esclarecidos durante a investigação foi a causa da morte de Edite.
Segundo o delegado, inicialmente o investigado teria acreditado que a vítima já estava morta ainda dentro da área da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Os exames periciais, entretanto, indicaram que ela ainda estava viva no momento em que foi atropelada.
A vítima apresentava lesões na região do pescoço, mas, conforme o resultado apontado pelo médico-legista e relatado pela Polícia Civil, a causa da morte foram as múltiplas fraturas provocadas pelo atropelamento.
A perícia realizada no local também identificou marcas de pneus que contribuíram para a reconstrução da dinâmica dos acontecimentos.
Companheira indiciada
A mulher de 33 anos, companheira do principal investigado, também foi indiciada por latrocínio.
Conforme a DIG, os elementos reunidos indicam que ela permaneceu ao lado do homem durante e após os acontecimentos investigados.
O delegado afirmou que não foram encontradas evidências que apontassem para a participação de uma terceira pessoa no crime.
Provas incluem registros em Araraquara
Entre os elementos analisados pela Polícia Civil estão dados de localização dos celulares, informações sobre o pedido da corrida, registros de leitura de placas e movimentações realizadas depois do crime.
Parte dessas provas está relacionada ao deslocamento até Araraquara após a morte da motorista, incluindo o uso do cartão bancário da vítima.
Com a conclusão do inquérito, o material produzido pela DIG foi encaminhado à Justiça.
O Ministério Público deverá agora analisar os autos e decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia. Os dois investigados permanecem presos. O indiciamento representa a conclusão da investigação policial e não equivale a uma condenação judicial.
Família presta homenagem
A sobrinha de Edite, Bruna, esteve em São Carlos na quarta-feira acompanhando os desdobramentos do caso.
Segundo ela, familiares também foram ao local onde Edite foi encontrada para prestar uma homenagem à radialista e motorista de aplicativo.
Bruna afirmou que a família agora aguarda o andamento do processo judicial e relatou o impacto provocado pela morte da tia.
Com o encerramento da etapa policial, o caso passa para a análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Reportagem: Pedro Maciel
























