
PAULO MELLO*
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, recebeu o título de cidadão são-carlense em cerimônia realizada pela Câmara Municipal de São Carlos no CPP, o Centro do Professorado Paulista. Durante a agenda no município, Edinho destacou sua relação com São Carlos, agradeceu a homenagem e afirmou que a cidade tem papel importante em sua trajetória acadêmica e política. A entrevista também abordou sua pré-candidatura a deputado federal, os desafios da região central paulista, segurança pública, economia, educação e o cenário político nacional.
Ao comentar a homenagem, Edinho agradeceu ao professor Azuaite Martins de França pela iniciativa de apresentar o título e citou lideranças presentes no evento, entre elas o ex-prefeito Newton Lima, a ex-vereadora Silvana Donati, a vereadora Raquel Auxiliadora, a presidente municipal do PT, Rita Fajardo, e representantes da imprensa. Segundo ele, receber o reconhecimento em São Carlos é motivo de orgulho, especialmente pela ligação construída com o município ao longo de sua formação. O dirigente lembrou que fez mestrado em Engenharia de Produção na cidade e destacou a importância de São Carlos em sua história.
Edinho ressaltou ainda o fato de ser o primeiro presidente nacional do PT oriundo do interior paulista. Ele afirmou que construiu toda a sua trajetória política fora da capital, passando pelos cargos de vereador, prefeito, deputado estadual e presidente estadual do partido. Para ele, presidir nacionalmente o PT neste momento representa um dos maiores desafios de sua vida pública.
Questionado sobre a possibilidade de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, Edinho reconheceu que o acúmulo de funções torna o processo mais complexo. Ele afirmou que, além da pré-candidatura, terá responsabilidades na coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o dirigente, sua candidatura dependerá de uma construção coletiva, com apoio do partido, de lideranças regionais e de aliados políticos. Ele citou, entre as articulações, dobradas eleitorais como a do ex-prefeito Newton Lima.
Na entrevista, Edinho também tratou de temas que, segundo ele, devem orientar uma agenda para o Estado de São Paulo e para a região central paulista. O presidente do PT afirmou que a economia paulista pode entregar mais do que apresenta atualmente e defendeu maior proteção à indústria e ao agronegócio brasileiros diante de disputas internacionais. Ao comentar o que chamou de “tarifaço do Trump”, Edinho elogiou a postura do presidente Lula na defesa da soberania nacional e criticou o governador Tarcísio de Freitas, a quem acusou de não defender a indústria e a economia paulista.
A segurança pública foi outro ponto central da entrevista. Edinho afirmou que o Estado de São Paulo vive uma crise na área, citando a remuneração dos policiais militares, a situação da Polícia Civil e a necessidade de investimento na Polícia Científica. Ele também defendeu uma política mais efetiva de enfrentamento ao crime organizado, com foco no bloqueio do fluxo financeiro das organizações criminosas. Segundo ele, sem recursos, o crime perde capacidade de comprar drogas, armas, corromper jovens e cooptar autoridades.
O dirigente também defendeu uma visão integrada entre São Carlos e Araraquara. Segundo Edinho, não há disputa entre os dois municípios, mas complementariedade econômica, acadêmica e social. Ele lembrou que muitas pessoas moram em uma cidade e trabalham ou estudam na outra, e afirmou que ambas têm forte presença da indústria e das universidades como motores de desenvolvimento. Para ele, lideranças públicas devem evitar rivalidades locais e trabalhar por uma visão regional mais ampla, capaz de fortalecer a região central do Estado.
Ao analisar o cenário nacional, Edinho afirmou que a disputa política segue polarizada e defendeu que o debate eleitoral seja feito a partir da comparação entre projetos de país. Ele disse que não pretende se envolver em questões familiares da família Bolsonaro, ao comentar o vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro, e afirmou que o confronto político deve ocorrer no campo das propostas. Na avaliação dele, Flávio Bolsonaro representa o modo de governar da família Bolsonaro, que Edinho criticou em temas como pandemia, universidades públicas, ciência, fome, programas sociais e infraestrutura.
Edinho também citou ações que atribui ao governo Lula, como a retomada de investimentos em infraestrutura, a geração de empregos, a abertura de novos mercados para exportação, a valorização da renda das famílias e a discussão sobre tributação. Ele mencionou o PAC, o túnel Santos-Guarujá, o trem entre São Paulo e Campinas e os recursos do BNDES e do Tesouro Nacional como exemplos de investimentos federais em São Paulo.
Ao ser questionado se o governo Lula tem defeitos, Edinho reconheceu dificuldades e disse que há áreas em que o país poderia avançar mais rapidamente. Entre elas, citou segurança pública, transição energética, universalização da educação integral e ampliação do acesso a creches. Ele afirmou que a criação de um Ministério da Segurança Pública dependeria da aprovação de uma PEC no Senado e defendeu que o Brasil construa um projeto de longo prazo baseado em soberania, minerais críticos, energia limpa e transferência de tecnologia.
A cerimônia no CPP, com a entrega do título pela Câmara Municipal, marcou o reconhecimento da ligação de Edinho Silva com São Carlos e abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre os rumos da região. Ao defender integração entre municípios, fortalecimento da economia, investimentos em segurança, educação e inovação, o presidente nacional do PT colocou São Carlos no centro de um debate político que ultrapassa os limites locais e alcança a agenda estadual e nacional.
(*) com reportagem de Ivan Lucas























