
A sessão ordinária da Câmara Municipal de São Carlos desta terça-feira (22) foi marcada por um embate entre os vereadores Fernanda Castelano (PSOL) e Moisés Lazarine (PL). Fernanda afirmou ter sido vítima de violência política de gênero enquanto exercia temporariamente a presidência dos trabalhos. Na sequência, Lazarine negou ter agido com intenção de desrespeitá-la e fez um pedido público de desculpas caso a parlamentar tenha se sentido ofendida.
Segundo Fernanda, o episódio ocorreu durante a fala de Lazarine na tribuna. A vereadora relatou que precisou interrompê-lo inicialmente para tratar da condução da sessão, mas ouviu do parlamentar que ele não havia concedido aparte. Ela argumentou, porém, que não solicitava aparte, já que naquele momento ocupava a presidência dos trabalhos.
A parlamentar disse que houve uma segunda intervenção diante do que considerou descumprimento dos acordos e das regras da sessão. Conforme seu relato, ao informar que a fala precisaria ser interrompida, Lazarine teria ignorado sua condição de presidente naquele momento e se dirigido a Lucão Fernandes (PP), que estava próximo à Mesa.
Para Fernanda, a situação configurou violência política de gênero. “Quando uma mulher fala conosco e a gente finge que não ouve o que esta mulher está falando e se dirige a um homem que está do lado dela, nós estamos cometendo uma violência contra a mulher”, declarou durante a sessão.
A vereadora acrescentou que foi a primeira vez, em um ano e nove meses de mandato, que se sentiu desrespeitada no Legislativo. “Hoje, de fato, considero que fui vítima de uma violência política de gênero”, afirmou. A caracterização, portanto, foi feita pela própria parlamentar durante sua manifestação e não representa, por si só, uma conclusão jurídica sobre o episódio.
Após a fala de Fernanda, Moisés Lazarine pediu questão de ordem para apresentar sua versão. O vereador afirmou que não teve intenção de desrespeitar a colega e declarou que faria um pedido de desculpas caso ela tivesse se sentido atingida por sua conduta.
“Se em algum momento a senhora se sentiu desrespeitada da minha parte, eu não tenho dificuldade nenhuma em pedir perdão em público”, afirmou Lazarine. O parlamentar disse que sua intenção naquele momento era garantir a continuidade de sua fala e que teria agido da mesma maneira caso outro vereador ou vereadora estivesse conduzindo a sessão.
Lazarine também explicou que não mencionou o nome de Fernanda durante o episódio porque, segundo ele, não conseguiu se recordar imediatamente do nome da parlamentar. “Em momento algum houve nenhum interesse de desrespeitar quem estava à presidência”, afirmou.
O episódio terminou com o registro das duas manifestações em plenário. Fernanda sustentou que a forma como foi tratada enquanto presidia a sessão configurou violência política de gênero, enquanto Lazarine rejeitou a existência de intenção discriminatória e pediu desculpas pelo eventual desrespeito.
O caso colocou novamente em debate, no Legislativo municipal, as relações de gênero, o respeito à condução dos trabalhos parlamentares e a participação das mulheres nos espaços de poder.
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