Imagem criada através de Inteligência Artificial (IA)
Golpes em São Carlos e região motivaram ao menos sete boletins de ocorrência nos dias 28 e 29 de agosto. Registrados pela Delegacia Eletrônica e classificados inicialmente como estelionato, os casos ocorreram em São Carlos, Santa Rita do Passa Quatro e Descalvado. O prejuízo informado pelas vítimas supera R$ 8 mil, mas o valor total pode ser maior, pois uma delas relatou ter transferido todo o dinheiro disponível sem especificar a quantia.
Falsos advogados usaram informações de processo
Em Santa Rita do Passa Quatro, integrantes de uma mesma família relataram o golpe do falso advogado. Segundo os boletins, os criminosos apresentaram-se como advogado e servidor ligado ao Superior Tribunal de Justiça e citaram um processo que o pai das vítimas realmente possuía, estratégia que deu credibilidade à abordagem.
Um dos falsos representantes orientou uma vítima a transferir valores entre contas próprias mantidas em três instituições financeiras. Depois, solicitou uma suposta “simulação” de pagamento de R$ 8.318, que seria destinada a um magistrado e garantiria isenção de impostos. Outro integrante da família realizou dois pagamentos via Pix, de R$ 5 mil e R$ 2,2 mil. “No final não houve intenção nem liberação de nada, foi onde percebemos que éramos vítima de golpe”, declarou uma das vítimas.
Falsos agentes da PF e do Coaf
Em São Carlos, um morador do Jardim Jockey Clube informou ter sido procurado, em 18 de agosto, por um homem que se apresentou como policial federal e demonstrou conhecer seus dados pessoais. Durante uma videoconferência, o suposto agente exibiu um distintivo e usou um ambiente preparado para simular uma repartição policial. “Realmente rapaz apareceu com distintivo, roupa, sentado e com a parede atrás da policial, eu pensei ok realmente se trata policial”, afirmou a vítima no boletim.
Posteriormente, um segundo homem passou a participar das conversas e apresentou-se como servidor do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf. Durante uma semana, os golpistas disseram que o caso era sigiloso e ameaçaram a vítima, alegando que ela correria risco de vida se comentasse o assunto. Em seguida, afirmaram que o dinheiro disponível deveria ser transferido para análise. Após prometerem a devolução dos valores, interromperam o contato.
Ameaças e bloqueio de saque
Em Descalvado, um operador de produção relatou ter acessado o perfil falso de um site e recebido, logo depois, uma ligação com ameaças contra ele e seus familiares. “Me sentindo com medo eu dei o dinheiro que eu tinha”, declarou. A vítima transferiu R$ 800, divididos em dois pagamentos por Pix.
Outro morador, do Jardim Jockei Club A, em São Carlos, denunciou uma plataforma de apostas depois de não conseguir sacar o saldo apresentado no sistema. Ele depositou R$ 100 e teria acumulado R$ 5.550,90, mas foi informado de que precisaria transferir mais R$ 500 para liberar a retirada. O pedido de devolução do depósito inicial foi negado e, posteriormente, a plataforma deixou de responder.
Leilão falso e possível uso indevido de CPF
No Jardim das Torres Prolongamento, um morador registrou boletim após fornecer CNH, endereço e outras informações pessoais a um site que se apresentava como pátio de veículos de São Carlos. Ele procurou a polícia depois de encontrar alertas de fraude relacionados à página. “Com a intenção de evitar fraudes com meu nome ou documentos, decidi por fazer este boletim”, declarou.
Uma estudante também procurou a Delegacia Eletrônica após identificar, pelo aplicativo bancário, um Pix de R$ 159 associado a uma conta de pagamento aberta em seu nome em uma instituição com a qual afirma nunca ter mantido vínculo. “Não reconheço e não autorizei a referida transação financeira”, declarou. A jovem suspeita que terceiros estejam utilizando seu CPF de forma fraudulenta e informou não ter recebido esclarecimentos imediatos da empresa.
Orientação para as vítimas
Nos sete registros, a autoridade policial de plantão avaliou que os fatos podem caracterizar estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, sem prejuízo de eventual reenquadramento pelo delegado responsável. As vítimas foram orientadas a comparecer à delegacia da área dos fatos, prestar esclarecimentos e apresentar documentos para permitir o início das investigações.
Órgãos públicos não solicitam transferências bancárias para analisar dinheiro, enquanto tribunais e advogados não exigem “simulações” de pagamento ou depósitos antecipados para liberar valores judiciais. Também devem despertar desconfiança plataformas que condicionam saques a novos depósitos e páginas de leilão que anunciam veículos por preços muito inferiores aos de mercado. A conferência dos canais oficiais e o registro imediato da ocorrência ajudam a preservar provas e a reduzir novos prejuízos.



























