
O projeto RestauraMed, que prevê a implantação de um hospital voltado ao tratamento e à recuperação de dependentes químicos em Ibaté, aguarda há meses a conclusão de procedimentos administrativos da Prefeitura para começar a funcionar, segundo os responsáveis pela iniciativa. A unidade está sendo preparada em um imóvel na região do Tamoio, alugado há quase um ano, e prevê aproximadamente 150 leitos, atendimento médico, psicológico e terapêutico, além de capacitação profissional para os pacientes. Apesar dos investimentos e das reformas realizadas no local, o projeto ainda depende de liberações envolvendo a Vigilância Sanitária e setores das áreas de Saúde e Engenharia do município.
Cobrança por agilidade
A demora foi criticada pelo vereador Gilmar Santos, que afirmou ter procurado a administração municipal depois de conhecer a estrutura e o projeto. Segundo ele, os responsáveis já vinham pagando aluguel e investindo no imóvel enquanto aguardavam a tramitação necessária. “Eles estão fazendo esse investimento ali desde o ano passado, estão pagando aluguel, esperando para que houvesse a liberação através da Vigilância Sanitária, da Secretaria de Engenharia e da própria Secretaria de Saúde. E estava parado”, declarou.

Gilmar disse ter cobrado providências das secretarias envolvidas e relacionou a necessidade de maior agilidade ao crescimento da demanda por tratamento de dependência química no município. “Eu procurei essa secretaria e exigi que eles pudessem atender o mais rápido possível para que essa clínica pudesse ser aberta. E o número de dependentes químicos está aumentando na nossa cidade”, afirmou. O parlamentar também explicou que o RestauraMed será inicialmente uma instituição particular, mas que pretende trabalhar para viabilizar futuros convênios e repasses dos governos municipal, estadual e federal.
Questionados se o processo protocolado já havia resultado em alguma vistoria, visita técnica ou retorno concreto da administração municipal, os responsáveis afirmaram que não. “Não, por enquanto não”, disseram durante a entrevista. Segundo o grupo, o processo está em tramitação há vários meses, enquanto o pagamento do aluguel do imóvel já se aproxima de um ano. Os responsáveis afirmaram ainda que as cobranças do vereador passaram a impulsionar as tratativas com a Prefeitura.
Estrutura prevê cerca de 150 leitos
A psicóloga e diretora Raquel Parrelli explicou que a estrutura projetada comporta aproximadamente 150 pacientes e já está em estágio avançado de preparação. “Com todos os apartamentos que a gente tem ali, uma média de 150, aproximadamente 150 leitos. Já tem academia, piscina, tudo montado ali. A gente está há um ano reformando aquele espaço”, afirmou.

Segundo ela, o local foi completamente revitalizado, mas a abertura ainda depende da conclusão da análise documental. “Estamos esperando a liberação de toda a documentação e de todo o projeto para a gente fazer acontecer”, acrescentou.
De acordo com Raquel, o modelo prevê tratamento multidisciplinar integrado, com ala hospitalar e setores organizados de acordo com o grau de complexidade de cada paciente, incluindo estruturas voltadas a urgência e emergência. O acompanhamento deverá envolver médicos, psicólogos, terapeutas e ações de espiritualidade.
Clínica-escola e capacitação profissional
A proposta inclui ainda uma clínica-escola, com parcerias com universidades, escolas profissionalizantes e empresas, permitindo que o paciente tenha acesso à formação profissional enquanto estiver em tratamento.
“O projeto prevê parceria com universidades e escolas profissionalizantes para que o paciente, ao mesmo tempo que ele está ali em tratamento, também esteja estudando para ter uma profissão assim que sair”, explicou Raquel.
Segundo a diretora, um dos objetivos é reduzir uma das dificuldades enfrentadas por pessoas que concluem tratamentos contra a dependência química: a reinserção social e profissional. A expectativa é que os pacientes possam deixar a instituição com qualificação e, eventualmente, oportunidades de ingresso no mercado de trabalho.
Atendimento conforme gravidade do paciente
O médico e integrante da direção Dr. Leonardo Spatti explicou que os atendimentos serão organizados conforme a gravidade dos quadros. Os pacientes deverão ser classificados entre vermelho, amarelo e verde, de acordo com critérios clínicos, psiquiátricos e a presença de comorbidades.

“Os pacientes são primeiramente classificados em pacientes vermelhos, amarelos ou verdes, dependendo do grau de comorbidade ali naquele momento”, afirmou.
Segundo ele, muitos dependentes químicos chegam às unidades de tratamento com diferentes problemas associados, o que exige acompanhamento contínuo e individualizado. “A gente vai ter que ter um atendimento longitudinal em todos eles”, explicou.
Projeto precisa atender normas da Anvisa
Leonardo também abordou as exigências sanitárias previstas para a implantação do serviço. Segundo ele, o projeto observa a RDC 50 da Anvisa, que estabelece parâmetros para estruturas físicas de estabelecimentos assistenciais de saúde.
“São normas bem claras e que, obviamente, nós vamos cumpri-las todas. Isso traz uma garantia de segurança para o paciente e para a instituição também. Então, a nossa luta até agora é justamente para adequar isso de forma completa”, declarou.
“Nós já poderíamos estar restaurando vidas”
O terapeuta em desenvolvimento humano e supervisor geral David Savá também ressaltou o impacto causado pela espera. Com atuação de quase duas décadas na área, ele afirmou que o projeto reúne experiência acumulada em tratamento e recuperação de dependentes químicos e poderá transformar Ibaté em referência no setor.
“Essa ajuda do vereador Gilmar, de tudo que está sendo feito, é imprescindível para que esse projeto ocorra o mais rápido possível, porque nós já poderíamos estar restaurando vidas já há bastante tempo”, declarou.

David acrescentou que o trabalho não se limitará ao paciente, mas deverá envolver também as famílias e ações voltadas à recuperação social. Segundo ele, a intenção é reunir experiência acumulada ao longo de anos de atuação no segmento.
Prefeito marca reunião com secretários
Após as cobranças, o prefeito marcou uma reunião para quarta-feira com representantes das áreas envolvidas no processo. Segundo Gilmar Santos, deverão participar integrantes da Vigilância Sanitária, da Saúde e da Engenharia.
“Aí nós vamos aguardar agora a resposta do que eles vão dar após essa reunião. Mas o prefeito já deixou garantido que ele vai apoiar e também a secretaria vai dar o apoio para nós”, afirmou o vereador.
A demora na análise do projeto coloca a Prefeitura de Ibaté diante da necessidade de esclarecer quais pendências ainda impedem a liberação, quais etapas administrativas faltam ser cumpridas e qual prazo poderá ser estabelecido para uma decisão. Enquanto isso, uma estrutura com capacidade estimada para 150 pacientes permanece sem funcionar, mesmo após meses de aluguel e investimentos.
Em uma área sensível da saúde pública e da assistência social, a definição sobre o andamento do processo ganha relevância direta para famílias que enfrentam a dependência química e buscam alternativas de tratamento na própria região.
























