
O IntegraSanca, projeto apresentado nesta quinta-feira, 27 de agosto, durante o 3º São Carlos Experience, pretende unificar bases de dados municipais para melhorar a gestão pública e os serviços oferecidos à população. A iniciativa foi apresentada pela pesquisadora Cristina Aguiar, do ICMC-USP, e pelo secretário adjunto de Cidade Inteligente da Prefeitura de São Carlos, Cristiano Pedrino, e terá atuação em áreas como saúde, educação, cadastro imobiliário, medicamentos, recursos humanos e planejamento urbano.
O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com investimento de R$ 9,6 milhões, além de R$ 250 mil aportados pela Prefeitura. A equipe reúne 18 docentes de instituições como USP, UFSCar, ITA, UFAL e UFMG, 29 profissionais de apoio técnico e administrativo e 62 bolsistas de pós-doutorado, doutorado, mestrado e iniciação científica.
Cristina Aguiar explicou que a integração exige lidar com bases formadas de maneiras diferentes e com informações que nem sempre coincidem. “É um trabalho extremamente difícil, desafiador, tem vários aspectos que precisam ser considerados”, afirmou. Segundo a pesquisadora, uma mesma pessoa pode, por exemplo, apresentar endereços distintos em sistemas diferentes, o que exige tratamento dos dados para aumentar a confiabilidade das informações utilizadas pela administração.
Integração envolve LGPD, segurança e sistemas obsoletos
Além da compatibilidade entre as bases, o IntegraSanca terá de observar regras de segurança da informação e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Cristina destacou que o projeto trabalha com informações de cidadãos e, portanto, precisa identificar quais dados podem ser utilizados, integrados ou disponibilizados. “Nós temos que nos preocupar com segurança”, afirmou.

Entre os sistemas considerados prioritários estão o E-SUS, que concentra registros de atendimentos, vacinações, visitas domiciliares e consultas; o sistema de Educação, com dados de escolas, alunos, professores e notas; o Cadastro Imobiliário; o ERP municipal, utilizado em recursos humanos, compras e contabilidade; a dispensação de medicamentos nas farmácias públicas; e o mapeamento urbano para aprovação de projetos.
Cristiano Pedrino informou que 41,6% dos sistemas utilizados pela Prefeitura são geridos internamente pela área de tecnologia da informação, enquanto 30,7% são externos ou hospedados em nuvem. Outros 27,7% são considerados obsoletos ou abandonados. “Atualmente, 41,6% dos sistemas usados pela Prefeitura de São Carlos são geridos internamente pela área de TI, 30,7% são sistemas externos ou hospedados em nuvem, e 27,7% estão obsoletos ou abandonados, o que reforça a necessidade de um esforço de integração e modernização”, disse.
Dados podem orientar saúde e educação
Entre os efeitos previstos para a população está a utilização das informações integradas para orientar decisões sobre serviços públicos. Cristina citou como exemplos a identificação de áreas prioritárias para instalação de uma UPA, distribuição de médicos entre unidades de saúde, fornecimento de medicamentos e definição de bairros que necessitam de novas escolas de acordo com a quantidade de crianças em idade escolar.
“O cidadão vai poder, por exemplo, ter serviços melhores”, afirmou Cristina. “É um retorno direto para a população, para facilitar a vida populacional”, acrescentou. A proposta é permitir que decisões administrativas sejam tomadas com base no cruzamento de informações hoje armazenadas em diferentes sistemas.
Outro exemplo apresentado envolve o absenteísmo no sistema municipal de saúde. Em levantamento preliminar referente a três meses, foram registrados 157.182 agendamentos, com taxa de comparecimento de 55,2% e índice de faltas de 29,9%. Uma das possibilidades estudadas é criar notificações automáticas para lembrar os cidadãos das consultas marcadas, reduzindo ausências e ajudando a diminuir o tempo de espera.
Projeto terá seis eixos de atuação
O IntegraSanca está organizado em seis eixos: integração de dados, inteligência artificial, segurança e privacidade, capacitação de recursos humanos, inclusão e acessibilidade e fortalecimento do ecossistema de inovação local. O projeto também prevê articulação entre universidades, Prefeitura, setor privado e sociedade civil, além da participação de instituições como IFSP, Embrapa e Parque Tecnológico de São Carlos (ParqTec).
A liderança científica é da professora Kalinka Branco, responsável perante a Fapesp e pela área de cibersegurança, ao lado de Cristina Aguiar, responsável por gestão e integração de dados, Adenilso Simão, na Engenharia de Software, e Ricardo Cerri, em Inteligência Artificial. Pela Prefeitura, a condução está sob responsabilidade de Cristiano Pedrino, na área de Tecnologia e Dados, com apoio de Anderson Escarabelo e da secretária de Gestão Pública e Integração Governamental, Laurie Lubek.
Cristina afirmou que alguns resultados poderão aparecer antes de outros, enquanto parte das mudanças dependerá de um processo mais longo de integração e modernização. “Vai ser um projeto desafiador, mas que a gente espera que tenha um retorno rápido, algumas coisas a gente pode fazer mais rapidamente, nem todas, mas muitas a longo prazo. Aos poucos, o cidadão pode ir percebendo que, pouco a pouco, vai melhorando os serviços que a Prefeitura vai oferecendo”, concluiu.


























