
A atriz Laura Cardoso, uma das mais importantes e longevas intérpretes da dramaturgia brasileira, morreu aos 98 anos na madrugada desta terça-feira, 18 de agosto, em São Paulo. A morte foi anunciada pela família nas redes sociais. Laura deixa uma trajetória de mais de oito décadas dedicada à atuação, com trabalhos que atravessaram a era de ouro do rádio, o surgimento da televisão no País, o teatro e o cinema.
Laura Cardoso morreu em sua residência na capital paulista. Informações divulgadas nesta terça apontam que a morte ocorreu por causas naturais, embora o comunicado inicial publicado pela família não tenha detalhado a causa. O velório está previsto para ocorrer das 8h às 14h no Funeral Home, em São Paulo, em cerimônia reservada.
Nascida Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni em 13 de setembro de 1927, no bairro do Bixiga, região central de São Paulo, Laura era filha de imigrantes portugueses. O interesse pela interpretação surgiu ainda na infância. Adolescente, começou a trabalhar no rádio, inicialmente na Rádio Cosmos, participando de programas de auditório, humorísticos e radionovelas. Na década de 1940, passou pela Rádio Tupi, onde conheceu Fernando Balleroni, ator, diretor e roteirista com quem se casaria e teria duas filhas.
A chegada da televisão ao Brasil abriu um novo capítulo na carreira da atriz. Laura esteve entre as pioneiras do novo meio e participou dos primeiros anos da TV Tupi, consolidando-se posteriormente como um dos rostos mais conhecidos da teledramaturgia nacional. Ao longo da carreira, acumulou mais de uma centena de trabalhos, com participação em mais de 60 novelas e passagens pelas principais emissoras brasileiras.
Na televisão, interpretou personagens que permaneceram na memória do público. Entre os trabalhos de maior repercussão estão novelas como “Brilhante”, “Mulheres de Areia”, “A Viagem”, “Irmãos Coragem” e “Caminho das Índias”. Sua capacidade de transitar entre personagens dramáticos, populares, cômicos e de forte carga emocional fez dela uma presença recorrente nas produções brasileiras por décadas. Seu último trabalho em uma novela foi em “A Dona do Pedaço”, exibida pela TV Globo em 2019.
Laura também construiu uma carreira expressiva fora da televisão. No cinema, participou de produções como “Terra Estrangeira”, “Através da Janela” e “O Outro Lado da Rua”, além de atuar no teatro em montagens dirigidas por nomes importantes da cena brasileira. Em 2025, aos 98 anos, ainda participou do curta-metragem “Dona Rosinha”, mantendo a ligação com a interpretação mesmo depois de se afastar das novelas.
A dimensão de sua carreira foi reconhecida com uma extensa lista de prêmios e homenagens. Laura recebeu, entre outras distinções, o Troféu Mário Lago pelo conjunto da obra, prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Prêmios Shell e a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo governo brasileiro a personalidades de destaque na cultura nacional.
Ao longo de sua trajetória, Laura Cardoso tornou-se símbolo de uma geração que acompanhou praticamente toda a formação da televisão brasileira. Sua carreira começou quando o rádio ainda ocupava o centro do entretenimento doméstico, atravessou a implantação da televisão no País e chegou à era das produções digitais, consolidando-a como uma das artistas de maior longevidade da história da dramaturgia nacional.
A notícia da morte provocou manifestações de atores, diretores e profissionais da cultura. Miguel Falabella recordou a convivência profissional e a amizade que manteve com Laura desde os anos 1980. Ary Fontoura, Zezé Motta, Fabiana Karla e outros artistas também prestaram homenagens, destacando o talento, a disciplina e a generosidade da atriz nos bastidores.
Com mais de 80 anos de atividade artística, Laura Cardoso deixa como legado centenas de personagens e uma presença que acompanhou diferentes fases da cultura popular brasileira. Da radionovela à televisão em cores, dos palcos ao cinema, sua história se confunde com parte da própria evolução da dramaturgia no País.























