Uma manifestação em frente à Prefeitura de Ibaté, na tarde desta sexta-feira, 27, terminou com uma reunião no gabinete do prefeito Ronaldo Venturi (PSD). Ele recebeu representantes do movimento e conversou por horas com o grupo, segundo relato do próprio prefeito.
O secretário de Segurança, Luis Fumagale, disse que a administração foi informada formalmente sobre o ato e montou uma estrutura para garantir a segurança. Como a Prefeitura fica em via movimentada, a equipe interditou o trecho para reduzir risco de atropelamento. “Criamos uma estrutura até para que a manifestação pudesse ser realizada”, afirmou.
Segundo Fumagale, forças de segurança acompanharam o ato para evitar que alguém “se infiltre e promova algo que não seja lícito”, mesmo com a presença de participantes descritos por ele como pacíficos. No local, segundo o secretário, houve apoio da Polícia Militar e da Guarda Municipal, além de uma ambulância de prontidão para eventuais emergências.
Por volta de 17h50, o secretário avaliou que a mobilização teve pouca participação. “Teve uma baixa adesão à manifestação”, disse. Ele afirmou ainda que avisou a uma liderança do movimento que a via permaneceria disponível para a continuidade do ato.

Organizadora diz que grupo surgiu por demanda ligada ao autismo e ampliou pauta
Uma das organizadoras da manifestação, Thainá Felix, afirmou que o movimento começou a partir de relatos de famílias sobre a falta de atendimento voltado a crianças e adolescentes com autismo e ganhou novos temas ao longo da semana. Segundo ela, um grupo criado para discutir o assunto passou a receber mensagens de moradores e reuniu uma lista com 12 reivindicações.
“Era só para ser essa pauta, uma pauta se tornou em 12”, disse. Thainá afirmou que a intenção é abrir espaço para moradores apresentarem queixas e pedidos, incluindo demandas de empresários, além de assuntos que, segundo ela, aparecem com frequência nas redes sociais.
Ela citou episódios envolvendo a saúde do próprio filho, que tem alergia a leite e ovo, e disse que recorre a convênio médico após, segundo seu relato, demora no atendimento em unidade de saúde. Também relatou problemas de comunicação com escola e afirmou não ter recebido retorno após registrar preocupação com alimentação e cuidados.
Ela disse que havia tentativa de diálogo e que uma reunião com o prefeito chegou a ser marcada, mas que o grupo decidiu manter a mobilização para ampliar as cobranças. A organizadora afirmou ainda que parte dos relatos chega de forma reservada.
“Começou pela pauta do autismo”, diz participante
Entre os participantes estava Jorge Azevedo, pai de um adolescente autista de 16 anos, que disse ter ido ao ato após ser convidado por integrantes do grupo. Segundo ele, a mobilização, que é apartidária, teria começado com foco na pauta do autismo e depois incorporado outras insatisfações com a gestão.
Azevedo afirmou que o filho usa o SUS e não teria acesso ao tratamento completo que considera necessário. Citou falta de profissionais e de terapias, como fonoaudiologia e terapia ocupacional, além de dificuldade para ajustar medicação. “Meu filho está perdido”, disse.
Ele também relatou que procurou a Secretaria da Saúde e vereadores, mas não obteve retorno. Defendeu a criação de um centro específico para autistas ou um serviço que concentre atendimentos de saúde mental, como um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), para reduzir filas e ampliar a oferta de especialistas. O participante citou ainda demora para consultas e exames, além de situações enfrentadas por familiares.

Prefeito chamou secretários para acompanhar a conversa
O prefeito Ronaldo Venturi afirmou que a manifestação foi convocada por redes sociais e que a Prefeitura não tinha sido procurada antes para uma reunião formal. Disse que um dos representantes entrou em contato na véspera e que havia agendado uma reunião pela manhã, mas o grupo não poderia por causa do trabalho. Uma reunião chegou a ser marcada para segunda-feira, às 18h, mas, durante a manifestação, os organizadores pediram para serem recebidos naquele momento.
Ele disse que chamou secretários para acompanhar a conversa e prestar esclarecimentos sobre os pontos levantados. “Respeito toda e qualquer manifestação”, afirmou. Ele disse que o encontro serviu para ampliar informações sobre ações da administração e para ouvir críticas sobre a comunicação do governo com a população.
Segundo Venturi, os representantes apresentaram uma pauta com 12 itens. Ele afirmou que a maior parte das demandas é possível de encaminhar, porque já estaria em execução ou em fase de preparação. Entre os temas citados por ele estão manutenção de parquinhos e playgrounds, que, segundo o prefeito, devem ser trocados ainda neste semestre, além do início de um serviço de tapa-buraco a partir de segunda-feira, com apoio de empresa contratada.
Na área da saúde, Venturi mencionou reclamações sobre tempo de espera para consultas e disse que parte da solução depende do município e parte do Estado. Sobre pedidos ligados ao atendimento de crianças com autismo, afirmou que o compromisso da gestão é criar um centro de terapias com uma ala voltada ao público autista, e que o atendimento já estaria sendo feito em uma clínica no próprio município.
Ao fim da reunião, o prefeito disse que manteve canal aberto com o grupo e reforçou que representantes podem procurar secretários e o gabinete para novas conversas. Venturi também afirmou que orientou os organizadores a terem cautela para não serem usados em ataques políticos e defendeu diálogo para dar sequência às cobranças.



















