Um médico registrou boletim de ocorrência após relatar ter sido vítima de ameaças e injúrias durante o exercício de suas funções no Hospital de Ibaté. O caso foi formalizado na Polícia Civil e está enquadrado nos crimes de injúria e ameaça, ambos previstos no Código Penal.
De acordo com o registro policial, o episódio teria ocorrido durante um atendimento médico, quando um paciente teria solicitado a emissão de um atestado alegando atendimento prévio em uma unidade de pronto atendimento. Ainda segundo o relato, o paciente teria afirmado que não pretendia seguir a conduta medicamentosa indicada anteriormente, insistindo apenas na obtenção do documento para dispensa do trabalho.
Após avaliação clínica e exame físico, o profissional de saúde teria constatado que o paciente não apresentava sinais que justificassem a concessão do atestado médico. Diante da negativa, o homem teria passado a agir de forma agressiva, proferindo ameaças contra a integridade física do médico, em frases que indicariam possível intenção de represália.
O boletim aponta ainda que o paciente teria injuriado o profissional com palavras ofensivas e de baixo calão, inclusive com ataques à honra de familiares, antes de deixar o hospital exaltado, em voz alta, causando transtornos ao fluxo de atendimento da unidade de saúde.
A ocorrência não foi registrada em flagrante. A vítima foi orientada quanto aos prazos legais para eventual representação criminal e oferecimento de queixa-crime.
Versão do acusado
Após a publicação do caso, o acusado entrou em contato com a redação do portal Região em Destake e apresentou sua versão dos fatos. Segundo ele, a situação ocorreu de forma diferente da relatada no boletim.
O homem afirmou que havia passado mal no dia anterior em outra cidade, onde recebeu medicação, e que, ao retornar a Ibaté, procurou o hospital por ainda apresentar sintomas, principalmente a necessidade frequente de usar o banheiro.
De acordo com o acusado, ele explicou a situação ao médico e solicitou apenas a justificativa para o trabalho, afirmando que já havia sido medicado e não queria nova aplicação de injeção. Ainda segundo o relato, o médico teria se recusado a fornecer qualquer documento e, em determinado momento, teria utilizado a palavra “vagabundo”, o que teria provocado a reação verbal do paciente.
O acusado reconheceu que ofendeu o médico com xingamentos, mas negou qualquer ameaça. Segundo ele, após a discussão, dirigiu-se à recepção para solicitar um comprovante de comparecimento, quando o médico teria se aproximado novamente e passado a ameaçá-lo em tom alto, inclusive com frases como “eu vou te matar” e “eu te mato na pancada”, diante de outras pessoas que estavam no local.
Ele afirmou ainda que não reagiu às supostas ameaças, permaneceu em silêncio, recebeu o documento na recepção e deixou o hospital. O acusado relatou que, posteriormente, também compareceu à delegacia para registrar sua versão dos fatos.
O caso segue sob apuração da Polícia Civil, que deverá analisar os relatos apresentados pelas partes, eventuais imagens de câmeras de segurança e possíveis testemunhas, para esclarecimento dos fatos.















