Médicos da chamada Região Coração participaram, nesta sexta-feira (23/01), da Oficina de Atualização em Arboviroses realizada em São Carlos. A capacitação ocorreu no auditório do Paço Municipal e foi promovida pelo Departamento Regional de Saúde – DRS III, com o objetivo de atualizar os profissionais de saúde sobre os protocolos clínicos e o manejo adequado dos pacientes acometidos por doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
O encontro reuniu médicos dos municípios de Descalvado, Dourado, Ibaté, Porto Ferreira e São Carlos, que compõem a Região Coração dentro da divisão administrativa da DRS III.
Segundo Viviane da Rocha Sousa, representante do Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE-12) de Araraquara, a oficina de atualização do protocolo clínico para arboviroses é realizada anualmente para os 24 municípios que integram a DRS III. Em 2026, porém, a estratégia foi reorganizada por regiões de saúde, o que permitiu maior aprofundamento das discussões com os profissionais locais.
“É importante reforçar que, dentro das arboviroses, não lidamos apenas com a dengue, mas com um conjunto de doenças transmitidas pelo mesmo vetor”, explicou Viviane. De acordo com ela, a atualização abordou os novos protocolos clínicos e de manejo adotados nas unidades básicas de saúde, unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospitais da região.
Um dos pontos centrais da capacitação foi a atualização do protocolo de hidratação dos pacientes. Viviane destacou que houve alteração nas recomendações, exigindo atenção redobrada dos profissionais. “Antes, a orientação era de 60 a 80 mililitros por quilo. Agora, o protocolo estabelece 60 mililitros, o que demanda um acompanhamento ainda mais cuidadoso, especialmente no atendimento a crianças, idosos e pessoas com comorbidades, que são os grupos mais vulneráveis”, afirmou.
Ela alertou ainda que já é possível observar aumento no número de casos, diretamente influenciado por fatores climáticos como chuvas e altas temperaturas, que favorecem a proliferação do mosquito transmissor.
Sobre a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, Viviane informou que o Ministério da Saúde ainda não definiu data para a ampliação da vacinação para a população de até 59 anos. “Neste momento, a vacina segue disponível apenas para a faixa etária de 10 a 14 anos. Por isso, a principal forma de prevenção continua sendo a eliminação dos criadouros do mosquito”, ressaltou.
Para o médico Leonardo Vinícius de Moraes, a atualização periódica dos protocolos é fundamental, especialmente neste período do ano. Segundo ele, a combinação de chuvas e altas temperaturas resulta em aumento expressivo da incidência de dengue e de outras arboviroses, como Chikungunya e Zika, bastante presentes na região.
“Essas doenças acabam levando um grande número de pessoas a procurar atendimento médico, o que provoca sobrecarga nos serviços de saúde. Por isso, é essencial que os profissionais estejam sempre atualizados”, afirmou. De acordo com Leonardo, apesar de não haver mudanças significativas nos protocolos em relação ao ano anterior, a capacitação contínua é indispensável para quem atua diretamente na linha de frente.
A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, destacou que a iniciativa teve como principal objetivo atualizar os profissionais quanto ao cenário epidemiológico atual e ao manejo clínico dos casos suspeitos. “A proposta é garantir que os usuários atendidos pelo Sistema Único de Saúde recebam um tratamento adequado e que os casos sejam conduzidos da melhor forma possível no município”, explicou.
Denise ressaltou que as equipes seguem atuando de forma permanente no enfrentamento ao mosquito transmissor, com ações de recolhimento de materiais inservíveis em parceria com a Secretaria de Conservação e Qualidade Urbana. Segundo ela, atualmente é recolhido, em média, um caminhão de materiais por dia nas residências do município.
Estudos do Governo do Estado de São Paulo indicam que cerca de 80% dos focos do mosquito estão dentro dos domicílios, dado que também vem sendo confirmado em São Carlos. “Esse cenário nos preocupa e serve de alerta para que a população faça a vistoria regular de seus quintais e elimine qualquer recipiente que possa acumular água. A responsabilidade é compartilhada entre o poder público e os moradores”, concluiu.
Em São Carlos, em 2026, já foram registrados 19 casos confirmados de dengue, com um caso ainda aguardando resultado de exame e 39 descartados. Até o momento, não houve registro de óbitos. Para Chikungunya, Zika e Febre Amarela, não foram registradas notificações neste ano.
Em 2025, o município contabilizou 20.429 casos positivos de dengue, com 24 óbitos confirmados. No mesmo período, foram registrados cinco casos positivos de Chikungunya — dois importados e três autóctones. Não houve confirmações de Zika. Para Febre Amarela, foram notificadas três ocorrências, sendo dois casos descartados e um óbito confirmado.





















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