A primeira audiência pública externa da revisão do Plano Diretor de São Carlos reuniu, na noite de quarta-feira (3/9), mais de 200 moradores, autoridades e técnicos no auditório da Fundação Educacional São Carlos (FESC). O encontro marcou o início de uma etapa de escuta e construção coletiva, com foco na mobilidade urbana e no desenvolvimento sustentável da cidade.
O coordenador de Planejamento da Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Epaminondas Duarte Júnior, abriu os trabalhos destacando que o Plano de Mobilidade Urbana (PMU) deve ser construído com participação popular. “Mobilidade não é só transporte. É também pedestre. Precisamos dar condições adequadas para quem anda a pé. E isso tem que estar no plano”, afirmou. Ele reforçou que todos os municípios precisam elaborar e revisar seus planos, priorizando acessibilidade, segurança e integração entre modais.
O PMU apresentado traz diagnóstico detalhado e propostas para reorganizar o sistema viário, melhorar o transporte coletivo e incentivar modais ativos como bicicletas e caminhada. Entre as principais propostas estão a criação de um anel viário, duplicações de vias estratégicas, corredores exclusivos para ônibus, ciclovias bidirecionais, requalificação de calçadas e ampliação da iluminação pública. Especialistas ressaltam, porém, que ainda falta uma matriz de indicadores para monitorar a execução e avaliar os impactos.
A audiência contou com a presença de vereadores, incluindo Malabim, Gustavo Pozzi, Thiago de Jesus, Júlio Cesar, Larissa Camargo, Paulo Vieira, Fábio Zanchim, Moisés Lazarine, Dé Alvim, Djalma Nery, e o presidente do Legislativo, Lucão Fernandes.
O assessor especial do prefeito, João Muller, destacou a importância da participação popular. “Nosso objetivo é trazer o cidadão para debater o plano que vai definir o desenvolvimento urbano da cidade”, disse. Muller explicou que esta é a primeira de seis audiências previstas até dezembro e defendeu que o Plano Diretor preveja revisões pontuais diante das rápidas mudanças tecnológicas, como o transporte por aplicativo, que hoje representa quase 20% da locomoção em São Carlos.
O vice-prefeito Roselei Françoso relembrou sua participação na revisão do Plano Diretor em 2016 e enfatizou que a legislação define o uso do solo, macrorregiões e áreas de preservação, devendo ser construída com ampla participação da sociedade. Ele também destacou a necessidade de debater novos modais de transporte e o crescimento da cidade, sobretudo na região norte, que poderá receber distritos industriais e novos loteamentos.
O prefeito Netto Donato reforçou o caráter estruturante da revisão do Plano Diretor. “O Plano Diretor direciona como a cidade será daqui a 10, 15, 20 anos. E isso não é responsabilidade apenas do Poder Público, mas de toda a comunidade”, afirmou. Netto convidou a população a participar das próximas audiências, com a segunda marcada para o dia 24 de setembro, na Escola Estadual Aduar Dibo, no Jardim dos Coqueiros, com foco em urbanismo.
Os membros do Grupo de Trabalho, Agnaldo Spaziani e André Fiorentino, coordenaram os trabalhos da primeira audiência, dando início a uma revisão profunda do Plano Diretor, que busca transformar propostas em ações concretas com transparência, integração e compromisso com o futuro da cidade.




















