PAULO MELLO
Em entrevista ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, na manhã desta sexta-feira (10), o jornalista e publicitário Moisés Rocha fez uma análise ampla do cenário político nacional, estadual e local. Durante a conversa, ele comentou os movimentos de Gilberto Kassab no PSD, a relação com o governador Tarcísio de Freitas, a pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência, o reposicionamento de lideranças em São Paulo e o excesso de pré-candidaturas em São Carlos para deputado estadual e federal.
Ao falar do quadro nacional, Moisés avaliou que Kassab trabalhou por muito tempo para se colocar como peça central no xadrez sucessório paulista, mas enfrentou dificuldades ao esbarrar no grupo bolsonarista e em ruídos com o próprio Tarcísio. Na visão dele, ao afirmar que o governador precisava ser “leal, mas não submisso”, Kassab expôs uma divergência que deveria ter permanecido nos bastidores. Para Moisés, isso criou um impasse político, já que o PSD precisa sustentar Ronaldo Caiado como presidenciável e, ao mesmo tempo, manter um palanque viável em São Paulo.
No cenário estadual, ele classificou a aproximação de Tarcísio com o ex-governador Rodrigo Garcia e o ex-presidente do PSDBB-SP, Marco Vinholi, como um movimento para reduzir a influência de Kassab no Estado. Segundo Moisés, a chegada de antigos nomes do PSDB ao entorno do governador reforça a tentativa de reorganizar uma base própria e atrair prefeitos e lideranças que haviam se afastado.
Quando o assunto passou para São Carlos, Moisés afirmou que o grande número de pré-candidatos não é explicado apenas pelo ego dos políticos, mas também pela pressão dos partidos. Segundo ele, as legendas precisam de palanques regionais, votos para fortalecer as bancadas e nomes locais que ajudem a viabilizar seus projetos. Por isso, considera difícil a formação de um consenso em torno de menos candidaturas, tanto no campo da direita quanto no da esquerda.
Na avaliação do entrevistado, São Carlos só voltará a ter chance real de eleger representantes próprios quando a cidade, por meio de suas entidades e lideranças não eleitorais, definir se realmente quer um deputado estadual ou federal com base local. Para ele, sem esse entendimento prévio, seguirá prevalecendo a lógica partidária, em que cada grupo lança seus nomes de acordo com interesses próprios e articulações externas.
Moisés também comentou o cenário da esquerda local, destacando o peso político do ex-prefeito Newton Lima (PT) e apontando o vereador Djalma Nery (PSOL) como um nome com potencial de futuro. Ainda assim, observou que há disputa por espaço e eleitorado dentro do mesmo campo, o que dificulta qualquer união automática.
Gestão em São Carlos
Ao tratar da gestão do prefeito Netto Donato (PP), Moisés disse que o governo fez a opção de não apenas dar continuidade ao modelo anterior, mas imprimir uma marca própria. Segundo ele, a administração decidiu enfrentar desgaste momentâneo para tentar entregar mudanças estruturais mais adiante, sobretudo por meio de ações de zeladoria, manutenção urbana, recuperação de espaços públicos e melhorias na estética da cidade.
Para o publicitário, a insatisfação que hoje aparece nas redes sociais não pode ser ignorada, mas faz parte do custo político de quem decide mexer em estruturas antigas. Ele afirmou que Netto está apostando alto ao sustentar medidas que geram reclamações agora, mas que podem produzir resultado perceptível até 2027. Na visão dele, se a cidade passar a ser vista como mais cuidada, organizada e bonita, a avaliação popular tende a mudar.
Moisés também observou que a comunicação política mudou profundamente. Segundo ele, hoje a população já não depende apenas da imprensa para formar opinião, porque cada cidadão também produz conteúdo, comenta e disputa narrativas nas redes sociais. Isso, na avaliação dele, tornou mais difícil para governos e líderes controlarem a forma como suas ações são interpretadas.
Nas considerações finais, Moisés deixou a análise política em segundo plano e assumiu um tom de defesa da atual administração. Disse que não participou da campanha de Netto Donato para “enganar o eleitor” e afirmou que o prefeito está empenhado em fazer uma gestão marcante. Para ele, a cobrança popular faz parte do processo e o governo precisa suportar pressão para amadurecer e entregar resultados concretos.



















