
PAULO MELLO
A vitória do Brasil sobre o Japão, por 2 a 1, de virada, pela Copa do Mundo de 2026, teve todos os ingredientes que costumam acompanhar a Seleção em momentos decisivos: susto, tensão, cobrança, superação e, no fim, aquela sensação de que o futebol brasileiro ainda sabe transformar sofrimento em celebração.
O Japão fez o que se esperava de uma seleção organizada, intensa e disciplinada. Marcou bem, ocupou espaços, acelerou quando teve chance e abriu o placar, colocando o Brasil diante de uma situação desconfortável. Não foi apenas um gol sofrido. Foi um teste emocional para uma equipe que precisava provar maturidade, paciência e capacidade de reação.
E a resposta veio no segundo tempo. O empate de Casemiro recolocou o Brasil no jogo não apenas no placar, mas também no espírito. A partir dali, a Seleção passou a jogar com mais presença, empurrada pela necessidade e pela responsabilidade de quem veste a camisa mais pesada do futebol mundial. Nem sempre foi bonito. Nem sempre foi brilhante. Mas foi competitivo, intenso e verdadeiro.
O gol da virada, nos acréscimos, com Gabriel Martinelli decidindo a partida, teve sabor de alívio e de afirmação. Em Copa do Mundo, vencer com autoridade é importante, mas vencer quando tudo parece complicado também constrói uma equipe. Grandes campanhas não são feitas apenas de goleadas e atuações perfeitas. Muitas vezes, nascem justamente de jogos duros, em que o time descobre sua força no limite.
A classificação brasileira às oitavas de final vem acompanhada de uma lição: talento continua sendo essencial, mas coragem, equilíbrio e poder de reação são indispensáveis. Contra o Japão, o Brasil não apenas venceu uma partida. Venceu a ansiedade, o relógio, a pressão e o risco de transformar uma noite difícil em frustração nacional.
A Copa costuma separar equipes boas de equipes preparadas para sofrer. Neste jogo, o Brasil sofreu, reagiu e venceu. E, quando a Seleção consegue unir camisa, técnica e coração, ninguém pode ignorar o recado: o Brasil segue vivo. E em Copa do Mundo, estar vivo já é meio caminho para continuar sonhando.
(*) Paulo Mello é jornalista, apresentador do Primeira Página no Ar na São Carlos FM e Diretor Geral do portal Região em Destake























