Foto: Paulo Mello
PAULO MELLO
A soldado PM Valéria, da Comunicação Social do 38º Batalhão de Polícia Militar do Interior, participou da Entrevista do Dia no programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, na manhã desta terça-feira (07), para falar sobre o trabalho de prevenção, orientação e conscientização desenvolvido pela Polícia Militar no combate à violência doméstica, à exploração e à violência sexual contra crianças e adolescentes. A participação ocorreu nos estúdios da emissora, em São Carlos, e reforçou a importância da informação como ferramenta de proteção social.
Durante a entrevista, a policial afirmou que a atuação da Comunicação Social da Polícia Militar busca aproximar a instituição da comunidade. Segundo ela, uma sociedade bem informada compreende melhor seu papel e contribui diretamente para a segurança pública. “A segurança pública é, sim, um dever do Estado. Porém, nós precisamos da contribuição da população para que esse trabalho seja feito com excelência”, afirmou.
A soldado destacou que o aumento dos registros de violência doméstica pode estar relacionado ao maior acesso da população à informação e aos canais de apoio. Para ela, a violência sempre existiu, mas muitas situações não chegavam ao conhecimento das autoridades. Com a ampliação dos mecanismos de proteção, vítimas e testemunhas têm buscado mais atendimento. “As pessoas estão realizando o registro e, quando não é a vítima, é alguém que presencia alguma situação de violência doméstica”, disse.
A policial também ressaltou a importância de orientar vítimas que, mesmo após sofrerem agressões, sentem medo ou dificuldade de denunciar. Segundo ela, muitas mulheres precisam de acolhimento e encorajamento para romper o ciclo de violência. A PM reforçou que a população pode ajudar acionando os órgãos competentes sempre que presenciar ou suspeitar de agressões.
Um dos pontos centrais da entrevista foi o trabalho de palestras realizado pela Polícia Militar em escolas, empresas, instituições e projetos sociais. A soldado Valéria explicou que, ao falar com crianças e adolescentes sobre prevenção à violência e à exploração sexual, é necessário adaptar a linguagem para que a mensagem seja compreendida. “A linguagem com a criança muda um pouco, porque precisa ser mais lúdica. Não adianta falar de uma maneira tão formal, porque não vou prender a atenção dessa criança”, afirmou.
Ela citou a participação em atividades como o projeto Judô Tigre, no Sindspam, onde pais e crianças acompanharam as orientações. Segundo a policial, a presença dos responsáveis é essencial, pois muitos casos envolvem pessoas próximas da vítima. Por isso, familiares, professores e pessoas do convívio da criança devem estar atentos a mudanças de comportamento.
Entre os sinais que podem indicar necessidade de ajuda, a soldado mencionou alterações bruscas de comportamento, medo excessivo de determinada pessoa, isolamento, queda no rendimento escolar, ansiedade, tristeza constante e lesões sem explicação. Ela ressaltou, porém, que esses sinais, de forma isolada, não confirmam uma situação de violência, mas devem servir de alerta para que os adultos observem e busquem orientação.
A Polícia Militar também realizou, no mês de maio, um ciclo de palestras na área do 38º BPM/I, que abrange São Carlos e outros municípios da região. Segundo a soldado, sete cidades foram alcançadas durante as ações. Ela também citou programas preventivos desenvolvidos por policiais militares, como o trabalho com crianças nas escolas, reforçando que a prevenção faz parte da missão da corporação.
Na entrevista, a soldado Valéria orientou a população sobre os principais canais de denúncia. Em situações de emergência, quando o crime está acontecendo, a orientação é acionar o 190. Para casos que não exigem intervenção imediata, a população pode recorrer ao 181. Também foram citados o Disque 100, voltado a violações de direitos humanos, a Delegacia de Defesa da Mulher, o Conselho Tutelar, o Ministério Público e canais digitais de denúncia. “O importante, independentemente do meio de comunicação, é não silenciar e denunciar”, afirmou.
A soldado também explicou que a Polícia Militar conta com atendimento especializado para vítimas de violência doméstica, por meio de um setor formado por policiais femininas preparadas para lidar com esse tipo de ocorrência. Segundo ela, a medida busca oferecer um ambiente mais acolhedor para mulheres que se sintam mais confortáveis em conversar com outra mulher. Em alguns casos, quando há medida protetiva anterior, também pode haver apoio para deslocamento da vítima.
Ao final da entrevista, a policial reforçou que o trabalho da Polícia Militar não se limita ao atendimento de ocorrências. Segundo ela, a missão também envolve prevenção, orientação e aproximação com a sociedade por meio de palestras, campanhas educativas e ações preventivas ao longo do ano. “Essas pessoas não estão sozinhas. A Polícia Militar, juntamente com outros órgãos, tem batalhado nessa causa”, afirmou a soldado Valéria. Ela também fez um apelo à população: “Sejam os nossos olhos onde nós não podemos alcançar. O importante é que a pessoa denuncie e não se silencie, porque o silêncio é o que sustenta a coragem do agressor”.
Empresas, escolas e instituições interessadas em solicitar palestras ao 38º BPM/I podem encaminhar pedido à Seção de Comunicação Social pelo e-mail [email protected], informando o público-alvo, o tema desejado, a quantidade de participantes, a instituição solicitante e um telefone para contato.
A entrevista reforçou a importância da prevenção, da denúncia e da atuação integrada entre Polícia Militar, famílias, escolas, empresas, instituições e comunidade. A informação, quando chega à população de forma clara e acessível, pode ajudar a identificar situações de risco, proteger vítimas e interromper ciclos de violência.


























