
A Prefeitura de Ibaté realizou, na manhã desta quarta-feira (7), a inauguração da Passarela “Mauro Antonio da Costa Telles”, sobre a Ferrovia às margens da Washington Luís (SP-310), em uma cerimônia comandada pela administração municipal e apresentada como “mais uma conquista para a população”. O detalhe que chama atenção, porém, está no próprio material divulgado pelo governo: a obra foi construída pela Rumo, concessionária do setor ferroviário.
Apesar de a execução ser atribuída oficialmente à empresa, foi o prefeito Ronaldo Venturi (PSD) quem concentrou o protagonismo da solenidade. O convite encaminhado a autoridades, imprensa e população leva sua assinatura e apresenta a entrega em linguagem institucional que associa diretamente a passarela à atual administração, sem explicar de maneira objetiva qual foi a participação da Prefeitura na construção.
A contradição fica ainda mais evidente porque o próprio release municipal afirma expressamente que a estrutura foi “construída pela empresa Rumo”. Até a publicação desta reportagem, entretanto, a Prefeitura não havia informado quanto a obra custou, qual foi o valor desembolsado pela concessionária, se houve utilização de recursos municipais ou estaduais e que tipo de contrapartida, articulação ou responsabilidade coube ao Executivo de Ibaté.
Em outras palavras: houve cerimônia, convite oficial, discurso de “conquista” e protagonismo político, mas faltaram informações básicas que permitam ao morador saber exatamente quem pagou a conta e qual foi a contribuição concreta da Prefeitura para que a passarela saísse do papel.
Quem fez o quê?
A ausência desses dados ganha relevância justamente porque inaugurações de obras públicas costumam ser utilizadas pelas administrações como vitrines de gestão. No caso da passarela, entretanto, a própria comunicação oficial reconhece que a construção ficou a cargo da Rumo.
Não foram apresentados, nos materiais enviados à imprensa, documentos ou informações sobre eventual participação financeira da Prefeitura, cessão de área, elaboração ou custeio de projeto, licenciamento, desapropriações, obras complementares ou qualquer outro investimento municipal diretamente relacionado à execução da estrutura.
Também não foram divulgados o valor total da obra, o período exato de construção, os compromissos assumidos pela concessionária e a origem da obrigação de implantação da passarela. Sem essas informações, permanece sem resposta uma pergunta simples: qual foi exatamente a participação da gestão Ronaldo Venturi na obra que inaugurou nesta quarta-feira?
Obra é importante para a segurançaA discussão sobre o protagonismo da cerimônia não diminui a importância da passarela para a população. A estrutura liga a Vila Bandeirantes à região do Jardim Cruzado e oferece uma alternativa mais segura para pedestres que precisam transpor a Rodovia Washington Luís, uma das principais rodovias do interior paulista e com intenso movimento de carros, ônibus e veículos pesados. O histórico da região reforça a necessidade da intervenção. Em maio de 2019, um homem de 31 anos morreu atropelado ao tentar atravessar a Washington Luís a poucos metros de uma passarela existente. A circulação de moradores no entorno da rodovia é antiga e sempre exigiu medidas capazes de reduzir os riscos de acidentes. Segundo a Prefeitura, a nova passarela foi entregue para proporcionar “mais segurança e mobilidade para pedestres”. Nesse aspecto, o benefício público é objetivo. O que permanece sem esclarecimento é por que a administração municipal concentrou a divulgação institucional da entrega sem apresentar, ao mesmo tempo, os números, documentos e responsabilidades de cada parte envolvida. Homenagem a ex-prefeitoA passarela recebeu o nome de Mauro Antonio da Costa Telles, ex-prefeito de Ibaté. A homenagem havia sido discutida pela Câmara Municipal, após apresentação de projeto pela vereadora Ivani do Cruzado (PSDB), e aprovada por unanimidade. Telles comandou o município em diferentes períodos entre as décadas de 1970 e 1990. |
Transparência ainda é necessária
Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura de Ibaté não havia esclarecido quanto custou a passarela, quanto foi investido pela Rumo e qual foi, de forma mensurável, a participação financeira, administrativa ou técnica do município.
A população ganhou uma estrutura importante para a segurança na travessia da SP-310. Mas inaugurar uma obra e assumir o protagonismo de sua entrega não substitui a obrigação de informar quem financiou, quem executou e qual foi a responsabilidade efetiva de cada envolvido.
O portal Região em Destake entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Ibaté e mantém espaço aberto para manifestação da administração municipal, da Rumo e dos demais envolvidos. Até o fechamento desta reportagem, nenhuma resposta havia sido encaminhada. O texto será atualizado caso haja posicionamento.
























