Cerca de cinquenta profissionais da saúde participaram, na tarde desta quinta-feira (22), de uma capacitação voltada ao enfrentamento da dengue no auditório do Paço Municipal de São Carlos. O encontro reuniu enfermeiros das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e das Unidades de Saúde da Família (USFs), com o objetivo de preparar a rede municipal para os desafios previstos em 2026.
A supervisora da Vigilância Epidemiológica, Kelen Cristina Lourenço de Vincenzi, explicou que o treinamento representa uma atualização necessária diante do comportamento dinâmico da doença. “Qualquer situação climática pode influenciar no aumento de casos. Estamos analisando a evolução da dengue no município e apresentando o cenário epidemiológico do ano anterior, com todas as dificuldades enfrentadas, para aprimorar as ações em São Carlos”, afirmou.
Segundo Kelen, os ciclos das arboviroses variam de um ano para outro e exigem monitoramento permanente. “É preciso observar a circulação viral, os fatores climáticos e as atividades realizadas no município. A capacitação busca alertar os profissionais de saúde. A prevenção continua sendo o melhor remédio. Hoje já temos a vacina disponível na rede SUS para a população de 10 a 14 anos — que deverá ser ampliada —, mas o cuidado com as residências segue como a principal forma de prevenção”, destacou.
A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, reforçou a importância da iniciativa para o início do ano. “Estamos capacitando aproximadamente cinquenta profissionais para que estejam preparados para enfrentar a dengue, um desafio não apenas local, mas nacional. É fundamental que as equipes estejam atualizadas quanto à assistência e ao acolhimento dos pacientes que chegam às unidades com sintomas da doença”, disse.
Denise alertou ainda para a circulação de novos sorotipos. “No ano passado já registramos a presença do sorotipo dengue 3 no município, com tendência de permanência em 2026. Vivemos um ano epidêmico em 2025 e precisamos estar cada vez mais preparados. Altas temperaturas e chuvas intensas favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti”, afirmou.
A diretora ressaltou a responsabilidade compartilhada entre poder público e população. “Estudos indicam que cerca de 80% dos criadouros de água parada estão dentro das residências. Desde 5 de janeiro, nossos agentes estão em campo e diariamente recolhem um caminhão de materiais inservíveis. A participação de cada morador é essencial para evitar a propagação da doença”, concluiu.
As capacitações têm continuidade nesta sexta-feira (23), com a Oficina de Atualização em Arboviroses, promovida pelo Departamento Regional de Saúde. A atividade será realizada a partir das 13h, no auditório do Paço Municipal, e é destinada a médicos da chamada Região Coração, que engloba os municípios de Descalvado, Dourado, Ibaté, Porto Ferreira e São Carlos.

















