PAULO MELLO
Da redação
A primeira semana de janeiro costuma ser marcada por promessas renovadas, especialmente quando o assunto é alimentação saudável e prática de exercícios físicos. Foi nesse contexto que a nutricionista e empresária Carla Cristina Dato participou, nesta segunda-feira, 05, do Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, para uma entrevista ampla e didática sobre emagrecimento, comportamento alimentar e os erros mais comuns cometidos no início do ano.
Logo no início da conversa, Carla destacou que a motivação típica do começo do calendário pode ser positiva, desde que seja bem aproveitada. Segundo ela, o problema não está nos excessos pontuais entre o Natal e o Ano Novo, mas nos hábitos mantidos ao longo de todo o ano. “A gente brinca que não é o que acontece entre o Natal e o Ano Novo que traz grandes impactos, e sim o que acontece entre o Ano Novo e o Natal”, explicou, ressaltando que alterações significativas na composição corporal levam tempo e constância.
A nutricionista observou que muitas pessoas adiam mudanças com justificativas simples, como o clima ou a rotina corrida. Para ela, isso ocorre porque o cérebro interpreta qualquer mudança como uma ameaça ao conforto. A saída, segundo Carla, é o planejamento. “Pensar com antecedência no que vai comer, organizar compras da semana e deixar o tênis separado para o treino são estratégias simples, mas que ajudam muito”, afirmou, defendendo que pequenas ações facilitam a adesão aos novos hábitos.
Proprietária de uma academia, Carla confirmou que o começo do ano é, de fato, o período de maior procura tanto por academias quanto por consultórios de nutrição. A busca, segundo ela, é impulsionada não apenas pela saúde, mas também por objetivos estéticos e datas próximas, como o Carnaval. Ainda assim, a profissional alertou para o principal erro desse período: a restrição exagerada. “Ir com muita sede ao pote costuma gerar frustração e abandono. Emagrecimento saudável não acontece da noite para o dia”, disse.
Durante a entrevista, Carla explicou que ganhos rápidos de peso observados na balança nem sempre representam aumento de gordura corporal. Da mesma forma, perdas muito rápidas, seja por dietas restritivas ou pelo uso de medicamentos, podem resultar em prejuízos importantes, como a perda de massa muscular. Sobre as chamadas “canetas emagrecedoras”, a nutricionista reconheceu a eficácia e a segurança do medicamento quando bem indicado por um médico, mas fez um alerta claro: “O remédio não muda hábitos. Ou a pessoa muda o comportamento alimentar, ou terá que usar o medicamento indefinidamente”.
Segundo Carla, o papel do nutricionista se torna ainda mais importante nesses casos, para garantir ingestão adequada de nutrientes, especialmente proteínas, e minimizar a perda muscular. Ela lembrou que mulheres acima dos 35 anos já enfrentam naturalmente uma redução de massa magra por questões hormonais, o que torna dietas muito restritivas ainda mais prejudiciais.
A entrevista também abordou mitos comuns, como o consumo excessivo de ovos e a ingestão de água para “enganar” a fome. Carla explicou que o ovo é um alimento de alto valor nutricional e que o consumo diário, dentro de quantidades adequadas, não representa risco para a maioria das pessoas. Já sobre a água, ela reforçou que a hidratação é fundamental, mas não deve substituir refeições. “É preciso aprender a reconhecer fome e saciedade, algo cada vez mais difícil num mundo em que as pessoas comem com o celular na mão”, pontuou.
Outro tema tratado foi a hipoglicemia. Carla explicou que quedas bruscas de açúcar no sangue podem estar relacionadas ao consumo isolado de açúcares simples, que elevam rapidamente a glicemia e provocam uma queda igualmente rápida. A orientação, segundo ela, é combinar carboidratos com proteínas e gorduras, além de buscar avaliação profissional para entender cada caso de forma individualizada.
Ao falar sobre a “melhor dieta”, Carla foi direta: não existe fórmula milagrosa. “A melhor dieta é aquela que a pessoa consegue manter. Não é sobre proibir alimentos para sempre, mas sobre frequência, equilíbrio e escolhas possíveis dentro da rotina”, afirmou. Para ela, cardápios prontos e modismos ignoram a individualidade biológica, a rotina de trabalho, as preferências pessoais e até questões metabólicas e emocionais.
Docente há 11 anos no curso de Nutrição da Unicep, Carla encerrou a entrevista reforçando que mudanças radicais costumam levar à desistência. “Não precisa ser extremo. A gente precisa de algo que caiba na rotina para o resto da vida. Todo excesso esconde uma falta, e na alimentação não é diferente”, concluiu, incentivando os ouvintes a buscarem orientação profissional e a adotarem hábitos de forma gradual e consciente.
A participação de Carla Cristina Dato trouxe um recado claro aos ouvintes da São Carlos FM: o início do ano pode ser um bom ponto de partida, mas saúde e bem-estar se constroem com planejamento, equilíbrio e constância — muito além das promessas de janeiro.
Assista a entrevista na íntegra:















