PAULO MELLO
O vice-prefeito de São Carlos e agora secretário municipal de Educação, Roselei Françoso (MDB), afirmou que sua volta à pasta foi inesperada, mas aceitou com senso de responsabilidade e compromisso com a rede municipal. Em entrevista ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, na manhã desta sexta-feira (20), ele explicou que vinha atuando em frentes estratégicas do governo — como a Internacionalização do Aeroporto, tratativas sobre o AME Cirúrgico junto ao Estado e discussões sobre rodovias e FATEC — quando foi chamado pelo prefeito Netto Donato (PP) para reassumir a Educação.
“Não estava nos meus planos naquele momento. Eu vinha desenvolvendo um trabalho estruturante para a cidade, mas o prefeito me consultou e eu aceitei porque tenho uma ligação histórica com a rede municipal. Foi a Educação que me projetou na vida pública”, declarou. Roselei lembrou que iniciou sua trajetória como chefe de manutenção predial, passou por diretorias administrativas e financeiras e ocupou diferentes funções técnicas antes de se tornar secretário pela primeira vez.
A mudança ocorreu após o prefeito deslocar Lucas Leão para a Secretaria Municipal de Justiça, com a missão de fortalecer e centralizar os processos de compras e contratos. Segundo Roselei, a prefeitura precisa “destravar a máquina” e organizar o planejamento de aquisições. Ele afirmou que houve reestruturações administrativas publicadas no Diário Oficial, com ajustes de nomenclatura e redistribuição de cargos, mas sem mudanças drásticas de equipe. “São adequações legais e estruturais para dar mais eficiência. Em alguns casos reduzimos cargos adjuntos e reorganizamos departamentos”, explicou.
Contratações, educação integral e reorganização da rede
Na Educação, Roselei disse que assume a pasta com desafios claros. Entre eles, a implantação gradual da política de Educação Integral prevista no Plano de Governo, o fortalecimento da Educação Inclusiva e a ampliação de vagas. Ele confirmou que na próxima semana será feita a atribuição de cargos para cerca de 44 professores P1, aproximadamente 45 a 46 docentes de Educação Especial e diversos professores especialistas (como Arte, Música, Matemática e Ciências), conforme demanda. Destacou que, mesmo antes das contratações, a rede conta com cerca de 150 professores adicionais para cobrir ausências e substituições. “No ano passado tivemos quase 22 mil faltas registradas. Precisamos dessa estrutura de apoio para garantir que não falte aula”, afirmou.
Um dos temas mais debatidos foi a merenda escolar. Roselei negou a implantação de “cozinha piloto”, mas confirmou que o município trabalha para unificar o fornecimento da alimentação em um único contrato, envolvendo alimentos, merendeiras terceirizadas, gás, manutenção de equipamentos e fornecimento de EPIs. Segundo ele, atualmente já há terceirização dos estocáveis, carnes, hortifrutis e da mão de obra. A proposta é centralizar e dar mais eficiência ao sistema, evitando falhas como as ocorridas no ano passado.
“Em 2025 faltaram itens como macarrão, feijão e extrato de tomate porque alguns processos deram ‘deserto’. Até refazer licitação, o ano passou e ficamos meses sem determinados produtos. Isso não pode acontecer”, declarou. O custo atual da alimentação, incluindo encargos, merendeiras, gás e insumos, gira em torno de R$ 38 milhões anuais. O novo modelo deve ficar próximo de R$ 40 milhões. “Não é muito maior. Há mais itens incluídos e mais responsabilidade no contrato. A ideia é garantir que não falte comida no prato das crianças.”
Ele também destacou a necessidade de reforçar a área nutricional. Hoje, segundo o secretário, há apenas uma nutricionista para 62 escolas. A meta é implantar a proporção de uma profissional para cada dez unidades. “Estamos falando de segurança alimentar. Precisamos garantir qualidade e acompanhamento adequado”, afirmou. Roselei garantiu ainda que não haverá demissões de merendeiras efetivas e que o objetivo é reorganizar equipes e melhorar condições de trabalho.
Uniforme, segurança e gestão financeira
Sobre uniformes escolares, Roselei afirmou que não haverá compra em 2026. O custo estimado é de cerca de R$ 5 milhões, valor que não compõe a aplicação mínima constitucional da Educação. “Foi uma decisão difícil, mas necessária neste momento. Quanto antes a população souber, melhor para se organizar”, disse. Ele informou que os kits de material escolar começam a ser distribuídos a partir do dia 27 de fevereiro e que há remanescentes de uniforme nas escolas para casos específicos. A intenção é retomar a compra no próximo exercício.
Na área de segurança, Roselei relatou que, após um caso de furto envolvendo professora em unidade escolar, foram reativadas câmeras de monitoramento, instalados holofotes externos e disponibilizado botão de pânico para acionamento rápido das forças de segurança. Admitiu, no entanto, que atualmente o município não possui contrato ativo de controlador de acesso nas escolas. “É um assunto que me preocupa. Há unidades que não consigo imaginar sem alguém no portão controlando entrada e saída. Vou levar essa discussão ao prefeito, analisando inclusive a questão financeira”, declarou.
O secretário também comentou a situação da zeladoria urbana, afirmando que a nova empresa contratada ainda está completando seu efetivo. A expectativa é que até o início de março as equipes de tapa-buracos estejam atuando de forma mais intensa.
Ao final da entrevista, Roselei reforçou que pretende manter atuação próxima às escolas e às comunidades. “Meu compromisso é fazer uma gestão presente, ouvir professores, merendeiras, alunos e famílias. A Educação é um conjunto de ações que precisam caminhar juntas. Nosso foco é organização, responsabilidade fiscal e garantir qualidade no atendimento às nossas crianças.”
Assista a entrevista na íntegra:

















