
O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos (SAAE) registrou, até o momento, 12 acidentes com materiais perfurocortantes envolvendo trabalhadores da coleta de resíduos domiciliares neste ano. O número já supera as sete ocorrências contabilizadas em todo o ano passado. A coleta seletiva também acumula casos: foram três acidentes com vidros quebrados descartados de forma inadequada em 2026. Diante do aumento, a autarquia reforça as orientações sobre o acondicionamento e a destinação correta desses materiais.
Entre os itens encontrados nos resíduos estão seringas, agulhas, garrafas e vidros quebrados, pregos, palitos de churrasco, espetinhos de madeira e outros objetos cortantes ou perfurantes. Quando descartados sem proteção, esses materiais podem atravessar ou romper as sacolas durante o manuseio e atingir os coletores.
O risco é maior no caso de agulhas e seringas. Além do ferimento, o contato com material potencialmente contaminado pode expor o trabalhador a agentes infecciosos, o que exige atendimento médico, avaliação da exposição e, quando necessário, adoção de medidas preventivas e acompanhamento.
Multas podem chegar a R$ 2.100
Quando ocorre um acidente causado por descarte inadequado de perfurocortantes, o SAAE registra a ocorrência e inicia um procedimento para identificar o responsável. Confirmada a autoria e caracterizada a infração, o autor fica sujeito às penalidades da legislação municipal.
A Lei Municipal nº 19.926, de 17 de novembro de 2020, que institui o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de São Carlos, prevê no artigo 53 multas para diferentes formas de descarte e acondicionamento irregular. O inciso II estabelece multa de R$ 525 a R$ 1.050 para despejo irregular de resíduos, colocação fora dos dias e horários da coleta seletiva ou acondicionamento inadequado. O inciso III prevê o mesmo valor para o uso de equipamentos de acondicionamento não autorizados, fora dos padrões ou com capacidade insuficiente. Já o inciso V fixa multa de R$ 105 a R$ 210 para a deposição de resíduos diferentes daqueles a que se destinam os equipamentos.
Segundo o SAAE, conforme o enquadramento da ocorrência e as infrações constatadas, o valor total pode chegar a R$ 2.100. Até agora, a autarquia aplicou nove autuações relacionadas aos casos, e outros dois seguem em apuração.
Seringas e agulhas vão para a UBS
Pacientes que usam medicamentos injetáveis em casa devem redobrar a atenção. Agulhas, seringas, lancetas e outros perfurocortantes devem ser guardados em recipientes rígidos, resistentes à perfuração e com fechamento seguro. Na falta de um coletor específico, é possível usar frascos plásticos rígidos, como embalagens de amaciante, bem fechados e identificados com avisos como “PERFUROCORTANTE” ou “AGULHAS”.
Depois de acondicionados, esses materiais devem ser levados a uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Eles nunca devem ir para o lixo domiciliar nem para a coleta seletiva.
Os pontos de descarte para diferentes tipos de resíduos no município, inclusive de logística reversa de medicamentos, seus resíduos e embalagens, podem ser consultados no portal Ecológica (https://ecologica.saocarlos.sp.gov.br/).
Vidros, latas e espetinhos também exigem cuidado
Vidros quebrados, latas, palitos de churrasco, espetinhos de madeira e outros objetos cortantes não devem ser colocados soltos nas sacolas. A orientação é acondicioná-los em embalagens rígidas e resistentes, bem fechadas e identificadas com avisos como “CUIDADO – VIDRO QUEBRADO” ou “CUIDADO – MATERIAL CORTANTE”. Pontas e bordas de latas, palitos e espetinhos também devem ficar protegidas.
O SAAE recomenda que, antes de fechar a sacola, o morador verifique se há algum objeto cortante ou perfurante e garanta que ele esteja embalado de forma segura e encaminhado ao local adequado.






















