
A Secretaria Municipal de Saúde de São Carlos, por meio do Departamento de Vigilância em Saúde, intensificou as ações preparatórias para a implantação do método Wolbachia, tecnologia que reduz a capacidade de transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya pelo mosquito Aedes aegypti. A etapa atual inclui reuniões técnicas, capacitações, mapeamento das regiões com maior incidência da doença e análises das condições ambientais e urbanas do município.
São Carlos foi um dos três municípios do Estado de São Paulo selecionados, em 2025, para receber a tecnologia, com base nos índices de infestação do vetor registrados na cidade. O método utiliza a bactéria Wolbachia, presente naturalmente em diversos insetos e considerada segura para pessoas e animais. Quando inserida no Aedes aegypti, a bactéria dificulta a multiplicação dos vírus e reduz a capacidade de transmissão das doenças.
A estratégia consiste na liberação controlada de mosquitos com Wolbachia em áreas previamente definidas. Ao cruzarem com a população local de mosquitos, os descendentes passam a carregar a bactéria, o que permite ampliar gradualmente sua presença no ambiente. Como a Wolbachia é transmitida das fêmeas para seus descendentes, a tecnologia tende a se manter ao longo das gerações, tornando a ação autossustentável com o passar do tempo.
A implantação será complementar às medidas já realizadas pelo município, como eliminação de criadouros, visitas domiciliares e campanhas de conscientização. De acordo com a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, o envolvimento da população será essencial para o sucesso do trabalho. “Antes da liberação dos mosquitos, chamados Wolbitos, é essencial que a população conheça a tecnologia e compreenda que ela complementa as demais ações de combate ao Aedes aegypti. Por isso, nossos agentes de combate às endemias estão realizando um amplo trabalho de orientação nas regiões contempladas, aplicando questionários junto aos moradores”, explicou.
A previsão é que as primeiras liberações de mosquitos ocorram em setembro. Segundo Denise, o processo será realizado de forma gradual, ao longo de aproximadamente 26 semanas. Após o início das liberações, equipes técnicas farão o monitoramento do estabelecimento da Wolbachia no ambiente por meio da captura de mosquitos. Paralelamente, serão conduzidas análises epidemiológicas para avaliar a relação entre a presença da bactéria e a redução dos casos de dengue, zika e chikungunya nas áreas atendidas.
O secretário municipal de Saúde, Leandro Pilha, reforçou que a tecnologia tem comprovação científica e não representa risco para pessoas ou animais. “A Wolbachia é uma tecnologia segura, validada por estudos científicos e aprovada por órgãos de saúde nacionais e internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde. Os resultados obtidos em municípios brasileiros e em outros países demonstram que essa estratégia contribui significativamente para a redução das arboviroses quando associada às demais medidas de controle”, afirmou.
Experiências realizadas em outras localidades apontam resultados expressivos. Em Niterói, no Rio de Janeiro, foi registrada redução de 89% nos casos de dengue, 60% nos casos de chikungunya e 37% nos casos de zika. Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, a redução dos casos de dengue chegou a 63%. A tecnologia também apresentou queda de 86% nos casos de dengue no Vietnã, 77% na Indonésia e 97% tanto na Colômbia quanto na Austrália.
Em São Carlos, o método será aplicado em bairros como Centro, Arnon de Mello, Chácara São João, Planalto Verde, Santa Angelina, Jardim Acapulco, Alvorada, Bandeirantes, Beatriz, Centenário, Cruzeiro do Sul, Gonzaga, Martinelli, Medeiros, Real, São João Batista, Antenor Garcia, Belvedere, Presidente Collor, Santa Tereza, Tangará, Cidade Aracy, Bela Vista, Morada dos Deuses, Residencial Silvio Villari, Anhembi, Paraíso, Maria Stella Fagá, Santa Felícia, Itamaraty, Eduardo Abdelnur, Ipê Mirim, Itatiaia, Romeu Tortorelli, Vida Nova São Carlos, São Carlos I, São Carlos II, São Carlos III, São Carlos VIII, Vila Arnaldo, Vila Brasília, Vila Faria, Vila Marques, Vila Mercedes, Vila Monteiro, Vila Nery, Costa do Sol, Elisabeth, Jacobucci, Lutfalla, Monte Carlo, Morumbi, São José e Vista Alegre.
A implantação da Wolbachia representa uma nova etapa no enfrentamento às arboviroses em São Carlos. Ao associar inovação científica, planejamento técnico e participação da população, a iniciativa busca ampliar a proteção coletiva e reduzir o impacto da dengue, zika e chikungunya na saúde pública do município.


























