NACIONAL | Lobbe Neto defende uso da “pílula do câncer” no Brasil

Enquanto no Brasil permanece a indefinição sobre o uso da fosfoetanolamina sintética no tratamento de pacientes com câncer, conhecida como “pílula do câncer”, nos Estados Unidos a substância virou suplemento alimentar. Uma nova fórmula da pílula será comercializada a partir do próximo mês, e é apresentada como suplemento que “fortalece o sistema imunológico e ativa a eliminação das células defeituosas de forma controlada”.

No Brasil, o Congresso Nacional havia aprovado no ano passado a autorização para que pacientes com câncer usassem a fosfoetanolamina como tratamento da doença. Mas a lei foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Hoje, o composto segue em fase de testes clínicos, que avaliam a eficácia da droga em humanos.

O deputado federal e biomédico Lobbe Neto (PSDB-SP) lamenta a morosidade no processo de registro definitivo da substância como medicamento no país, mas ressalta que os órgãos competentes, como o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), têm feito o necessário para comprovar os benefícios da pílula.

“O que é mais importante é que o Icesp, em São Paulo, através do governo do Estado, autorizou que o Instituto do Câncer pudesse fazer todas as tratativas e as pesquisas com humanos. Agora se iniciou a segunda etapa. Serão mais de seis meses e com isso chegará a mil pacientes, e aí sim poderemos ter um resultado muito positivo para todos aqueles que necessitam da fosfoetanolamina.”

Lobbe Neto reforça a necessidade de dar mais agilidade a esse processo, já que muitas vidas dependem de remédios ainda sem registro da Anvisa. O deputado lembra que o ministro José Serra, senador licenciado pelo PSDB, foi autor de proposta que visa a agilidade no registro de medicamentos em geral, já sancionada pelo presidente Michel Temer.

“O que falta é um pouco de agilidade nas questões não só desse medicamento, mas de outros também. Nós votamos um projeto do então senador José Serra, e que estabelece alguns prazos para a Anvisa nessa questão de novos medicamentos e revalidação de medicamentos, para que com esses prazos se possa ter uma agilidade maior. O que não dá é para ficar às vezes três ou quatro anos sem um parecer, sem saber se esse medicamento poderá ser consumido pela população ou não.”

A fosfoetanolamina começou a ser sintetizada em laboratório no final da década de 1980, por um pesquisador do Instituto de Química da USP de São Carlos. Apesar de ainda não ter passado por todos os testes legalmente exigidos, a substância foi distribuída para pacientes com câncer, que fizeram relatos de regressão da doença, mas que hoje ainda lutam na Justiça para obter o produto.

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