
O Brasil chega a mais um 7 de Setembro em meio a uma campanha presidencial intensa, uma crise envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal e manifestações políticas programadas para diferentes cidades. Na véspera do feriado, o presidente Lula voltou a colocar a soberania nacional no centro do discurso, enquanto adversários políticos organizam atos contra o governo e o STF.
É legítimo que governo e oposição apresentem suas visões sobre o país. Democracia pressupõe divergência, cobrança e fiscalização. O problema começa quando uma data que deveria representar a independência de todos os brasileiros se transforma apenas em instrumento eleitoral de um lado ou de outro. O 7 de Setembro pertence ao país, não a um partido, a um candidato ou a uma corrente ideológica.
Soberania, aliás, deveria significar muito mais do que discursos patrióticos. O Brasil possui uma das maiores reservas mundiais de terras raras e acaba de avançar na criação de uma política nacional para minerais críticos. A oportunidade é enorme: transformar riquezas naturais em tecnologia, indústria, empregos qualificados e desenvolvimento dentro do próprio país, em vez de continuar exportando matéria-prima e comprando de volta produtos de alto valor agregado.
Talvez esse seja o debate que mais combine com a Independência: que país queremos construir daqui para frente? Uma nação soberana precisa de instituições confiáveis, economia competitiva, educação, segurança, emprego e capacidade de decidir seu próprio futuro. Neste 7 de Setembro, seria importante que brasileiros de posições políticas diferentes lembrassem disso. Governos passam, candidatos passam e eleições terminam. O Brasil permanece.



























