“Hoje é alívio. Hoje é festa. Amanhã é luta” — Raquel Auxiliadora, vereadora. [Paulo Mello]
PAULO MELLO
A vereadora Raquel Auxiliadora (PT), de São Carlos, atribuiu à mobilização de eleitores e voluntários o resultado da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu o diálogo entre diferentes forças políticas. Em entrevista ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, nesta segunda-feira (26), a parlamentar apresentou sua avaliação sobre a disputa presidencial e afirmou que a participação popular precisa continuar depois das eleições.
Raquel relatou que acompanhou a apuração com ansiedade, apesar da confiança no trabalho desenvolvido durante a campanha. Segundo ela, o contato com os eleitores mostrou mudanças de posicionamento, tanto entre pessoas que apoiavam Flávio Bolsonaro quanto entre aquelas que pretendiam votar em branco, anular ou não comparecer. “A gente estava confiante, mas morrendo de medo, com certeza”, afirmou.
Na avaliação da vereadora, a mobilização em São Carlos ultrapassou a estrutura partidária. Ela contou que apoiadores passaram a produzir seus próprios materiais e a organizar atividades de convencimento, enquanto a equipe concentrava esforços no fornecimento de panfletos e adesivos. “As pessoas faziam seus próprios panfletos. Escreviam seus próprios panfletos e iam para a rua sozinhas para fazer campanha”, relatou.
Diálogo político e futuro do PT
Ao comentar a atuação de Geraldo Alckmin, Raquel destacou a importância da convivência entre lideranças com trajetórias e posições diferentes. Para ela, a aliança representa a possibilidade de construir objetivos comuns em defesa da democracia. Questionada sobre a hipótese de o PT apoiar Alckmin em uma futura eleição presidencial, respondeu: “Por que não?”. A manifestação ocorreu como avaliação de uma possibilidade, sem anúncio de candidatura ou decisão partidária.
A parlamentar também defendeu respeito ao resultado das urnas. Após ouvir, durante o programa, uma mensagem atribuída ao prefeito Netto Donato reconhecendo a vitória de Lula, afirmou que as relações institucionais devem ser conduzidas com respeito e espírito republicano. Raquel sustentou que divergências eleitorais não devem impedir o diálogo entre os representantes públicos.
Sobre a discussão envolvendo a prorrogação da votação, a vereadora disse que foi ao cartório eleitoral para acompanhar os procedimentos e elogiou a atuação da Justiça Eleitoral local. Na avaliação dela, o episódio reforça a necessidade de assegurar condições para que a população consiga votar. “Tem que ter ônibus, tem que ter transporte, não pode haver nenhum cerceamento do direito de ir e vir do eleitor”, declarou.
Participação popular e demandas sociais
Ao tratar das expectativas para o governo federal, Raquel defendeu maior participação da sociedade na elaboração de políticas públicas. Citou as demandas dos microempreendedores individuais e de trabalhadores que dependem de plataformas digitais, incluindo pessoas que comercializam produtos pelas redes sociais. “Não dá para um governante achar que sozinho tem a solução de todos os problemas”, afirmou. Na segurança pública, também defendeu uma atuação mais efetiva do governo federal no enfrentamento dos problemas.
Questionada sobre o futuro da direita, a vereadora afirmou que não considera todos os eleitores de Flávio Bolsonaro integrantes do bolsonarismo ou da extrema direita. Defendeu que as diferentes motivações do voto sejam compreendidas e reconheceu a legitimidade da direita no debate público. Ao mesmo tempo, criticou discursos de ódio e manifestações que, em sua avaliação, procuram eliminar o adversário do debate político.
Raquel também relatou a comemoração de apoiadores na Praça Coronel Salles, em São Carlos. Segundo ela, a concentração reuniu participantes na praça e na avenida, com presença da bateria da UFSCar e de maracatu. A vereadora afirmou que manteve contato com a polícia para auxiliar na organização do espaço e na segurança das pessoas.
No encerramento, agradeceu aos voluntários e aos eleitores que participaram da campanha, destacando a contribuição de pequenas ações individuais. Para Raquel, a mobilização deve se transformar em acompanhamento permanente das decisões públicas. “Hoje é alívio. Hoje é festa. Amanhã é luta”, afirmou, ao defender a continuidade da organização popular e da participação da sociedade na vida política.



























