
PAULO MELLO
As eleições de 2026 escancaram uma contradição no mercado da comunicação brasileira. Enquanto emissoras de rádio e televisão são obrigadas por lei a reservar espaço para a propaganda eleitoral gratuita, as gigantes da tecnologia recebem milhões de reais das campanhas políticas.
E os números impressionam!
Segundo levantamento do portal Controle Popular, baseado nas despesas declaradas à Justiça Eleitoral até 9 de outubro, as campanhas registraram aproximadamente 272 milhões e 400 mil reais em pagamentos à Meta, proprietária do Facebook e Instagram.
Somente a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro declarou cerca de 7 milhões e 500 mil reais em despesas com big techs. A de Lula registrou aproximadamente 2 milhões e 600 mil reais. Fernando Haddad, candidato ao governo paulista, aparece com cerca de 2 milhões e 500 mil reais.
São cifras expressivas, que demonstram como a propaganda eleitoral se transformou em uma importante fonte de receita para as plataformas digitais.
Do outro lado estão as rádios e televisões brasileiras. Emissoras que empregam profissionais, pagam impostos, mantêm estruturas de transmissão e são obrigadas a ceder parte de sua programação para a propaganda política.
É verdade que a legislação prevê compensação fiscal pelo horário eleitoral. Mas isso não significa pagamento direto, nem garante a reposição integral das receitas comerciais que poderiam ser obtidas com esses espaços.
A discussão levantada pelas entidades representativas da radiodifusão merece atenção do Congresso Nacional. Afinal, por que o mesmo processo eleitoral que movimenta milhões para empresas de tecnologia impõe obrigações tão diferentes aos meios tradicionais?
A propaganda eleitoral gratuita é uma conquista democrática e precisa ser preservada. O que deve ser revisto é o equilíbrio das regras em um mercado de comunicação que mudou profundamente.
O Brasil precisa das plataformas digitais. Mas também precisa preservar suas rádios, suas televisões e, principalmente, a comunicação regional.
Porque não existe democracia forte sem informação de qualidade. E não haverá informação regional independente se as condições econômicas de quem produz jornalismo continuarem sendo ignoradas.
Valores apurados nas eleições de 2026
Despesas declaradas ao TSE — levantamento de 9 de outubro de 2026
R$ 272,4 milhões
Total identificado em pagamentos à Meta, controladora do Facebook e Instagram.
| Campanha | Gastos declarados com big techs |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro (PL) | R$ 7,5 milhões |
| Lula (PT) | R$ 2,6 milhões |
| Fernando Haddad (PT) | R$ 2,5 milhões |
| Célio Studart (PSD) | R$ 2,4 milhões |























