A segurança feminina no transporte público entrou no centro do debate legislativo em São Carlos nesta semana. O vereador Bruno Zancheta (Republicanos) protocolou uma proposta que prevê a implementação de linhas de ônibus exclusivas para mulheres no sistema de transporte coletivo municipal. A iniciativa busca criar um ambiente segregado para mitigar riscos de importunação sexual e oferecer maior tranquilidade às passageiras que dependem do serviço diariamente.
Segundo o parlamentar, a medida responde a um volume crescente de queixas recebidas em seu gabinete. “Recebemos relatos frequentes de mulheres que se sentem inseguras no transporte coletivo e muitas vezes passam por situações de constrangimento”, afirmou Zancheta. Para ele, a proposta é um “passo importante para tornar o transporte público mais seguro e humanizado”.
Inspiração em modelos nacionais
A proposta de Zancheta não é inédita no cenário brasileiro e se baseia em experiências de grandes centros urbanos que adotam a segregação de gênero como política de proteção:
- Rio de Janeiro: Pioneiro, o MetrôRio opera o “vagão rosa” em horários de pico desde 2006.
- Maceió: Recentemente implementou ônibus exclusivos, focados especificamente no público feminino.
- Outras capitais: Recife, Brasília e Belo Horizonte mantêm iniciativas similares, principalmente em sistemas sobre trilhos.
Próximos passos e viabilidade
Embora o protocolo tenha sido realizado na Câmara Municipal, a implementação efetiva depende de uma articulação técnica. O vereador ressaltou que o projeto deverá passar por rodadas de discussão com o Poder Executivo, a Secretaria de Transporte e Trânsito e a concessionária responsável pelo serviço na cidade.
O desafio central será conciliar a logística da frota com a demanda específica de cada itinerário, garantindo que a criação das linhas exclusivas não prejudique a frequência dos ônibus convencionais. “Precisamos discutir soluções concretas. O objetivo é construir uma alternativa viável e eficiente para São Carlos, ouvindo também a população”, pontuou o vereador.
A proposta agora segue para análise das comissões permanentes da Câmara antes de ser levada à votação em plenário. Se aprovada, São Carlos poderá se tornar uma das primeiras cidades do interior paulista a adotar a exclusividade de gênero como ferramenta de mobilidade urbana e segurança pública.





















