
A Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal de São Carlos divulgou uma nota de repúdio à circulação de listas que expõem mulheres trabalhadoras, empreendedoras e influenciadoras em razão de seus posicionamentos políticos durante o segundo turno das eleições de 2026. Segundo o órgão, os conteúdos vêm sendo compartilhados em redes sociais e grupos de WhatsApp e podem estimular constrangimentos, ataques, perseguições e prejuízos às atividades profissionais das mulheres mencionadas.
No documento, a Procuradoria manifesta preocupação com a exposição de mulheres que exerceram seus direitos de participação política e liberdade de expressão. A avaliação é de que divergências eleitorais não podem justificar tentativas de intimidação, desqualificação ou assédio moral contra pessoas que manifestam publicamente suas opiniões.
A nota também alerta para o risco de as listas serem utilizadas para incentivar boicotes e outras formas de retaliação profissional. Para o órgão, a situação é especialmente preocupante quando a identificação das mulheres ocorre com o objetivo de prejudicar seus negócios, suas relações de trabalho ou sua atuação na sociedade.
A Procuradoria destaca que a Constituição Federal de 1988 assegura a liberdade de manifestação do pensamento, a liberdade de expressão e a igualdade perante a lei. O documento reconhece que críticas e divergências fazem parte do debate democrático, mas ressalta que essas garantias não devem ser confundidas com práticas de intimidação ou perseguição.
“O debate político é legítimo, a divergência é inerente à convivência e o direito à crítica faz parte de qualquer sociedade democrática. No entanto, não podemos tolerar nem normalizar a utilização de instrumentos de intimidação contra quem pensa ou defende posições políticas diferentes”, afirma a nota.
Procuradoria avalia medidas legais para proteger mulheres
Diante da situação, a Procuradoria Especial da Mulher informou que está avaliando medidas cabíveis junto à Defensoria Pública e ao Ministério Público. A intenção é buscar a garantia dos direitos e a proteção das mulheres que eventualmente tenham sofrido danos de natureza civil ou criminal em decorrência da divulgação de seus nomes.
O comunicado não informa quantas mulheres foram incluídas nas listas, quem seria responsável pela divulgação ou se já existem procedimentos formalmente instaurados. Também não foram apresentados detalhes sobre eventuais ameaças ou prejuízos efetivamente registrados.
A manifestação é assinada pelas vereadoras Raquel Auxiliadora, Fernanda Castelano, Larissa Camargo e Cidinha do Oncológico, integrantes da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal de São Carlos.
As parlamentares reafirmam o compromisso do órgão com a defesa dos direitos das mulheres, o respeito à liberdade de expressão, o fortalecimento do empreendedorismo feminino e a construção de um ambiente democrático em que opiniões políticas diferentes possam coexistir sem intimidação.
Ao encerrar o posicionamento, a Procuradoria condena o que classifica como política do ódio e qualquer tentativa de silenciar mulheres por suas escolhas eleitorais. “As eleições passam. A democracia fica. O respeito precisa prevalecer”, conclui a nota, reforçando a importância da proteção dos direitos individuais e do respeito às divergências políticas em São Carlos.



























