Da redação
Motoristas, trabalhadores e estudantes que utilizam a rodovia Washington Luís (SP-310) enfrentaram na manhã [e seguem enfrentando] nesta quarta-feira, 27 de maio, um congestionamento que se estendeu por mais de oito quilômetros no trecho entre Ibaté e São Carlos, sentido capital. As interdições, provocadas por obras de recapeamento asfáltico iniciadas ainda na madrugada, levaram a atrasos superiores a duas horas e geraram forte insatisfação entre os usuários da via.
O transtorno teve efeito imediato sobre a rotina de milhares de pessoas que dependem diariamente do trecho para chegar ao trabalho ou à universidade e escolas. Relatos colhidos nas redes sociais e em grupos de WhatsApp da região apontam perda de horas de trabalho e atrasos em provas e compromissos acadêmicos. “Saí de casa às 5h30 para chegar às 7h no serviço em São Carlos. Só consegui passar do retorno de Ibaté depois das 8h. Vou perder parte do plantão e, com certeza, terei desconto no salário”, escreveu um técnico de enfermagem, que utiliza a rodovia diariamente. A mesma situação foi relatada por estudantes do campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), muitos dos quais moram em Ibaté e cidades vizinhas.
Polêmica sobre o horário das interdições
A principal crítica dos usuários diz respeito ao horário escolhido para as interdições. Logo às 6h28, horário de pico do fluxo matinal, faixas já estavam interditadas para a aplicação de nova camada asfáltica. “Não é possível que uma obra desse porte não possa ser feita à noite, quando o movimento é muito menor. Aqui todo mundo sabe que das 6h às 8h e das 17h às 19h o trânsito é intenso. A concessionária parece ignorar a realidade do usuário”, disse um motorista de aplicativo de 41 anos, que ficou preso no congestionamento. A reclamação ecoa em publicações de moradores da região: muitos questionam o planejamento logístico e sugerem que o período noturno, entre 22h e 5h, seria mais adequado para as intervenções, reduzindo o impacto sobre a mobilidade.
Além dos horários inadequados, os motoristas relataram que, em alguns pontos, as interdições permaneciam ativas mesmo sem a presença de equipes trabalhando. “Passei por um trecho de cerca de 300 metros completamente bloqueado, mas não havia um operário sequer. A máquina estava parada, o asfalto já estava aplicado e ninguém liberava a via. Fiquei parado mais de 40 minutos sem explicação”, contou uma professora de 29 anos. A situação foi acompanhada de críticas à sinalização: cones mal posicionados, falta de placas indicativas de desvio e ausência de orientadores de tráfego em pontos críticos. A concessionária não se manifestou até a conclusão desta reportagem sobre as reclamações específicas de trechos ociosos.
Contraponto: necessidade das obras para reduzir acidentes
Apesar dos transtornos imediatos, especialistas destacam que as obras de recapeamento são essenciais para a segurança viária no longo prazo. O trecho entre Ibaté e São Carlos registra um dos maiores índices de acidentes da rodovia, muitos deles relacionados ao desgaste do pavimento, que acumula buracos e ondulações. “A manutenção preventiva é indispensável. Se não houver recapeamento periódico, o número de colisões e capotamentos pode aumentar significativamente”, afirmou escreveu um usuário da rodovia, que acompanha a situação da via.
Diante da lentidão, motoristas adotaram soluções improvisadas. Parte dos condutores optou por desviar por estradas de terra que margeiam a rodovia – conhecidas como “estrada de chão” –, o que gerou novos transtornos, como poeira excessiva e risco de danos aos veículos. Outros, mais arriscados, passaram a trafegar pelo acostamento, prática proibida pelo Código de Trânsito Brasileiro e que pode resultar em multa. “Vi pelo menos cinco carros passarem pelo acostamento. É perigoso, mas as pessoas estão desesperadas para não perder o emprego”, observou um motociclista de 45 anos.
A reportagem seguirá acompanhando a situação e trará atualizações ao longo do dia. A expectativa é de que as obras continuem nos próximos dias, exigindo paciência e planejamento dos motoristas que utilizam a SP-310.






















