Piscinão CDHU | Foto: PMSC
O dia 7 de fevereiro entrou para a história recente de São Carlos por registrar dois episódios de chuvas intensas em anos distintos, com volumes elevados e impactos diferentes sobre a cidade. A comparação entre os temporais de 2024 e 2026, separados por exatamente dois anos, evidencia mudanças no comportamento do sistema de drenagem urbana e aponta os efeitos de investimentos em planejamento, manutenção e obras estruturantes realizados no período.
Em 7 de fevereiro de 2024, uma forte tempestade provocou transtornos generalizados. Segundo a Defesa Civil, choveu cerca de 70 milímetros em um curto intervalo, com acumulado de 80 mm até as 18h, quase metade da média prevista para todo o mês de fevereiro, estimada em 200 mm. O volume concentrado sobrecarregou o sistema de drenagem, resultando no transbordamento do Córrego do Gregório e do Rio Monjolinho.
A região do Mercado Municipal e do Camelódromo foi tomada pela enchente, enquanto a Rotatória do Cristo precisou ser interditada. Ao todo, 43 das 130 lojas da área central registraram alagamentos. A enxurrada arrastou 12 veículos, causou prejuízos ao comércio e deixou trechos da Avenida Comendador Alfredo Maffei submersos, evidenciando a vulnerabilidade histórica das bacias do Gregório e do Simeão.
Mais chuva, danos menores em 2026
Dois anos depois, novamente em 7 de fevereiro, agora em 2026, São Carlos enfrentou um temporal ainda mais intenso. De acordo com a Defesa Civil, foram registrados aproximadamente 130 milímetros de chuva entre 19h30 e 20h50, volume significativamente superior ao de 2024 e concentrado em pouco mais de uma hora.
Os principais pontos de alagamento ocorreram nas regiões da Rotatória do Cristo, do Kartódromo e da Rodoviária. Sete veículos ficaram ilhados — cinco no Kartódromo, um na Avenida Trabalhador São-Carlense e outro na Rotatória da USP, nas proximidades da Avenida Miguel Petroni. Apesar da intensidade do evento, não houve registro de vítimas.
Um dado chamou atenção: a baixada do Mercado Municipal, historicamente uma das áreas mais críticas da cidade, não apresentou alagamentos significativos. Houve apenas acúmulos pontuais de água, que se dissiparam rapidamente, sem danos relevantes à infraestrutura pública ou privada.

Prevenção e obras estruturais
A diferença entre os dois episódios está diretamente relacionada à ampliação e reestruturação da política de drenagem urbana adotada nos últimos anos. Desde 2023, houve uma mudança na forma de prestação dos serviços, com atuação integrada entre a Prefeitura de São Carlos e o SAAE, unindo limpeza e conservação do sistema existente ao planejamento técnico de projetos e obras estruturantes.
As ações permanentes de manutenção, como desassoreamento de rios e piscinões, permitem que a infraestrutura opere com sua capacidade plena, reduzindo enxurradas e alagamentos pontuais. Durante essas operações, gargalos históricos são identificados e transformados em projetos executivos, muitos deles já concluídos e em fase de captação de recursos.
Para o presidente do SAAE, Derike Contri, os dados comparativos demonstram a eficácia dos investimentos. “Estamos lidando com eventos climáticos cada vez mais intensos e concentrados. A diferença entre 2024 e 2026 mostra que planejamento técnico e obras estruturais fazem a diferença. Os reservatórios e as intervenções em drenagem já apresentam resultados concretos, mas seguimos ampliando a capacidade do sistema”, afirmou.
Reservatórios e resposta do sistema
Durante o temporal de 2026, os dois grandes reservatórios em operação — CDHU e Vila Prado — tiveram papel fundamental na proteção das bacias do Gregório e do Simeão, amortecendo as vazões e promovendo descarga controlada e gradual. Além deles, cerca de 50 microrreservatórios distribuídos em loteamentos e condomínios contribuíram para reduzir a pressão sobre os córregos.
Com chuvas concentradas principalmente na região norte, córregos como Monjolinho, Mineirinho, Tijuco Preto, Santa Maria do Leme e Gregório receberam volumes elevados em curto espaço de tempo. Houve extravasamentos pontuais no Kartódromo (Santa Maria do Leme), na Avenida Trabalhador São-Carlense (Tijuco Preto) e na Avenida Bruno Ruggiero (Mineirinho). Ainda assim, o Rio Monjolinho suportou a vazão sem transbordamentos significativos em sua área central.
Segundo o gerente de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais, Eduardo Casado, o avanço é resultado de planejamento contínuo. “A evolução é gradual, degrau por degrau. Estruturamos o serviço de limpeza, ampliamos a conservação e executamos obras estruturantes. Avançamos, mas ainda há projetos estratégicos em andamento para ampliar ainda mais a proteção da cidade”, explicou.
Desafio permanente
Os episódios de 2024 e 2026 refletem um cenário cada vez mais comum nas cidades brasileiras: chuvas intensas e concentradas, que exigem planejamento, monitoramento e investimentos contínuos em drenagem urbana. Se em 2024 os danos foram amplos, em 2026 parte da infraestrutura já demonstrou maior capacidade de resposta, embora o desafio permaneça diante de um regime climático mais imprevisível.
Para o prefeito Netto Donato, a comparação reforça a importância da prevenção. “Mesmo com chuvas mais intensas, São Carlos respondeu melhor porque estamos trabalhando de forma preventiva, com obras estruturais, manutenção permanente e decisões técnicas. Seguiremos avançando para proteger a cidade e a população diante dos eventos climáticos extremos”, afirmou.















