
A previsão de temperaturas acima da média e de aumento das chuvas nos próximos meses, em razão do fenômeno El Niño, colocou São Carlos em alerta para a possibilidade de maior proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A Secretaria Municipal de Saúde recebeu orientações da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) para reforçar as ações de vigilância e prevenção diante do risco de aumento das arboviroses na área da Diretoria Regional de Saúde (DRS) de Araraquara.
O alerta considera a combinação de calor e chuva, condições que favorecem a formação de criadouros do mosquito e podem ampliar a circulação dos vírus. Também há previsão de aumento da procura pelos serviços de saúde e, eventualmente, das internações relacionadas às arboviroses.
Segundo boletim de monitoramento do El Niño elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em parceria com outros órgãos, a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte até novembro é superior a 90%. Para o período, são esperadas temperaturas acima da média em praticamente todo o país e chuvas acima da média em parte do Estado de São Paulo.
Queda expressiva nos casos
Apesar do cenário de atenção, São Carlos registra forte redução nos casos de dengue em 2026. Até a 38ª semana epidemiológica, foram contabilizados 432 casos, contra 20.429 no mesmo período de 2025, uma queda de 97,9%.
A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, explica que o município mantém o acompanhamento dos indicadores para identificar rapidamente qualquer mudança no comportamento das arboviroses.
“O cenário atual é de redução expressiva dos casos, mas o aumento das temperaturas e das chuvas exige atenção permanente. A Vigilância em Saúde realiza o monitoramento semanal dos indicadores e mantém as ações de controle do vetor para identificar precocemente qualquer alteração na circulação das doenças. Também estamos preparados para ampliar as medidas de prevenção e articular a rede de saúde caso haja aumento da demanda”, afirma Denise.
Planejamento e estratégias de controle
O planejamento municipal considera diferentes cenários relacionados ao fenômeno climático, como chuvas extremas, enchentes e deslizamentos, ondas de calor, queimadas e aumento das arboviroses. No combate à dengue, chikungunya e zika, estão previstas ações de vigilância epidemiológica, acompanhamento dos indicadores, controle do mosquito e uso de estratégias complementares, como as Ovitrampas e o Método Wolbachia.
“As ações de controle são permanentes e combinam diferentes estratégias. Além do monitoramento epidemiológico e do trabalho de campo, São Carlos utiliza tecnologias complementares, como as Ovitrampas, e está implantando o Método Wolbachia. A participação da população também é fundamental, porque a maior parte dos criadouros ainda está dentro ou no entorno das residências”, destaca a diretora.
Como prevenir
A principal medida de prevenção é eliminar qualquer recipiente que possa acumular água. A recomendação é que os moradores façam uma vistoria semanal nas residências, especialmente após períodos de chuva.
Caixas d’água e outros reservatórios devem permanecer fechados, e as calhas precisam ser mantidas limpas e desobstruídas. Garrafas devem ser armazenadas com a abertura voltada para baixo, enquanto pneus, embalagens e outros objetos que possam acumular água devem ser descartados ou guardados em local protegido.
Pratos de vasos de plantas podem ser preenchidos com areia. No caso de plantas aquáticas, a orientação é trocar a água e lavar os recipientes pelo menos uma vez por semana. Quintais, varandas, ralos e áreas de serviço também devem ser vistoriados regularmente.
Sintomas e sinais de alarme
Em caso de suspeita de dengue, a orientação é evitar a automedicação e procurar uma unidade de saúde. Os sintomas mais comuns são febre acima de 38°C, de início repentino e duração de dois a sete dias, além de dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, dor atrás dos olhos, fraqueza, náuseas, vômitos, manchas vermelhas e coceira.
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura ou desmaio, dificuldade para respirar, sangramentos, cansaço extremo ou irritabilidade são sinais de alarme, especialmente quando a febre começa a diminuir. Nesses casos, é necessário procurar atendimento médico imediatamente.






















