Em São Carlos, o imunizante está disponível na rede municipal de saúde para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Mais de 3,6 mil crianças e adolescentes de São Carlos ainda não completaram o esquema de vacinação contra a dengue. Dados da Secretaria Municipal de Saúde, referentes ao período de 2024 a 2026, mostram que 8.474 pessoas de 10 a 14 anos receberam a primeira dose da vacina Qdenga, mas apenas 4.790 segundas doses foram aplicadas. A diferença é de 3.684 aplicações, equivalente a 43,5% das primeiras doses registradas. A situação preocupa as autoridades de saúde, que reforçam a importância de completar a imunização.
A Qdenga é aplicada em duas doses, com intervalo de três meses entre elas. A segunda aplicação é necessária para completar o esquema recomendado e obter a proteção esperada com a vacinação. Em São Carlos, o imunizante está disponível na rede municipal de saúde para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Entre 2024 e 2026, foram aplicadas 13.264 doses da Qdenga no município. Os números revelam uma diferença expressiva entre a quantidade de pessoas que iniciaram a vacinação e o total de segundas doses administradas. O levantamento, entretanto, não discrimina quantos adolescentes ainda estão dentro do intervalo previsto para receber a próxima aplicação.
A análise por sexo mostra resultados semelhantes. Entre as meninas, foram registradas 4.179 primeiras doses e 2.386 segundas doses, uma diferença de 1.793 aplicações, equivalente a aproximadamente 43%. Entre os meninos, foram 4.295 primeiras doses e 2.404 segundas, com diferença de 1.891, cerca de 44%.
São Carlos acompanha cenário nacional
A dificuldade para completar o esquema vacinal também é observada em outras regiões do país. Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI) apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde, foram aplicadas mais de 11,8 milhões de doses contra a dengue no Brasil, sendo aproximadamente 7,6 milhões de primeiras doses e 4,2 milhões de segundas doses.
A diferença nacional supera 3 milhões de aplicações. Enquanto em São Carlos a relação entre segundas e primeiras doses é de aproximadamente 56,5%, no país esse índice fica próximo de 55%, conforme os números divulgados.
Os dados reforçam a necessidade de orientar pais e responsáveis sobre o intervalo entre as aplicações e de acompanhar a situação vacinal de crianças e adolescentes. A vacinação é uma das estratégias utilizadas pelo sistema público de saúde para reduzir o risco de formas graves da dengue e hospitalizações.
Vacina do Butantan tem suspensão preventiva
A Secretaria Municipal de Saúde também chamou a atenção para a diferença entre os imunizantes utilizados contra a dengue. A vacinação com a Butantan-DV foi suspensa preventivamente pelo Ministério da Saúde em junho de 2026, após a identificação de eventos adversos que passaram a ser investigados pelas autoridades sanitárias.
A suspensão ocorreu após registros de três casos graves, incluindo dois óbitos, entre aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas. O Ministério da Saúde informou que não havia comprovação de relação causal entre esses episódios e o imunizante e que a interrupção foi adotada como medida de precaução.
A decisão relacionada à vacina do Butantan não incluiu a Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda, que utiliza um esquema de duas doses e continua sendo oferecida pelo Sistema Único de Saúde.
Secretaria de Saúde orienta pais e responsáveis
A diretora de Vigilância em Saúde de São Carlos, Denise Martins Gomide, reforçou a importância de verificar a carteira de vacinação e procurar uma unidade de saúde para completar o esquema.
“A vacina contra a dengue é uma ferramenta fundamental para proteger nossas crianças e adolescentes contra formas graves da doença, mas essa proteção só é garantida com o esquema vacinal completo. Fazemos um apelo aos pais e responsáveis para que verifiquem a carteira de vacinação e levem os adolescentes de 10 a 14 anos às unidades de saúde para receber a segunda dose. Em um momento em que a dengue continua representando um desafio para a saúde pública, completar a vacinação é um ato de cuidado e prevenção”, destacou.
A orientação é que os responsáveis confiram a data da primeira aplicação e procurem a unidade de saúde para verificar a necessidade da segunda dose. Além da vacinação, continuam fundamentais as medidas de prevenção, especialmente a eliminação de recipientes que possam acumular água e favorecer a reprodução do mosquito Aedes aegypti.
A ampliação da cobertura vacinal e a conclusão dos esquemas iniciados são medidas importantes para fortalecer a proteção de crianças e adolescentes e reduzir os impactos da dengue sobre a saúde pública de São Carlos.
























