PAULO MELLO
Da redação
O padre doutor Luiz Antenor Rosa Botelho, novo vigário da Paróquia São José de São Carlos, foi o entrevistado da manhã desta terça-feira (30) no programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM. Em uma longa entrevista, reflexiva e marcada por bom humor, o sacerdote falou sobre o encerramento de 2025, as expectativas para 2026 e os desafios espirituais e humanos do mundo atual.
Ao comentar o que esperar do novo ano, o padre destacou que o futuro não depende apenas de datas ou promessas, mas da postura de cada pessoa. Segundo ele, perder a esperança significa perder tudo. “Boas ações e más ações nascem do coração humano. O mundo será aquilo que cada um de nós decidir construir”, afirmou, reforçando que a fé precisa caminhar junto com atitudes concretas.
Durante a conversa, o vigário analisou os conflitos internacionais, citando guerras na Ucrânia, em Israel e em outras regiões. Para ele, é um erro atribuir essas tragédias a Deus. “Brigar por causa de Deus é um absurdo. Que tipo de Deus é esse? Deus não provoca guerras. Elas são fruto do egoísmo, do individualismo e da falta de diálogo”, disse. O sacerdote lembrou que a própria Bíblia já alertava para divisões e conflitos, mas reforçou que isso não significa o fim, e sim sinais de um mundo que se afasta de valores essenciais.
O padre também falou sobre liberdade e responsabilidade. Segundo ele, Deus respeita a liberdade humana e não interfere nas escolhas. “Posso escolher fazer o bem ou o mal. Tudo é permitido, mas nem tudo convém. A vida tem consequências. Não é castigo de Deus, é o resultado das escolhas”, explicou, comparando a vida a um plantio: quem planta algo errado não pode esperar colher bons frutos.
Um dos momentos mais sensíveis da entrevista foi quando o sacerdote abordou o tema da morte. Ele foi categórico ao afirmar que não se deve dizer que “Deus quis a morte” de alguém. “Se Deus quisesse a morte, não teria enviado seu Filho para morrer por nós. A morte é consequência do pecado original e da limitação humana”, explicou. Ao mesmo tempo, reconheceu que essa frase muitas vezes surge como uma tentativa de consolar quem sofre a perda de um ente querido.
Ao falar sobre o final do ano, o padre destacou a diferença entre o Natal e o Réveillon. Para ele, enquanto o Natal ainda preserva um caráter mais familiar e religioso, o Ano Novo tem sido associado a excessos. “O dia 1º de janeiro é o Dia Mundial da Paz e também dedicado a Nossa Senhora. Deveria ser um momento de reflexão, confraternização e oração, não apenas de exageros”, afirmou. Ele explicou ainda que, para a Igreja, o Ano Novo está inserido no tempo do Natal, que se estende até a festa do Batismo de Jesus.
O sacerdote também comentou sua chegada à Paróquia São José, ressaltando o acolhimento caloroso da comunidade e sua longa ligação com a igreja, que remonta à juventude e ao período de discernimento vocacional. Além da atuação pastoral, ele segue exercendo a função de vigário-presidente do Tribunal Eclesiástico em Barretos e vice do mesmo Tribunal, em São Carlos, conciliando as atividades com apoio de equipes e uso de tecnologia.
Na bênção final, padre Luiz Antenor fez questão de explicar que a bênção não é um ato mágico. “A bênção exige compromisso. Abençoar é fazer o bem soar. Cada pessoa precisa ser uma bênção para si mesma e para os outros”, afirmou. Ele pediu que 2026 seja um ano marcado pela esperança, pela prática do bem e pela responsabilidade individual, deixando aos ouvintes uma mensagem clara: a fé transforma, mas exige atitudes.
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