Fotos: Instagram @gloriamenezesoficial
A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, aos 91 anos, em seu apartamento no Rio de Janeiro. A morte ocorreu por volta das 14h e foi provocada por causas naturais, segundo informações confirmadas por sua equipe. Até o fim da tarde, não haviam sido divulgados detalhes sobre velório e sepultamento.
Uma das principais referências da dramaturgia brasileira, Glória Menezes acumulou mais de seis décadas de carreira no teatro, cinema e televisão. Nascida Nilcedes Soares de Magalhães, em 19 de outubro de 1934, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, mudou-se ainda criança para São Paulo, onde iniciou sua formação artística. Frequentou a Escola de Arte Dramática e participou do grupo Jovens Independentes antes de iniciar profissionalmente a carreira nos palcos, no fim dos anos 1950.
Sua estreia profissional no teatro ocorreu em 1959, sob direção de Antunes Filho, trabalho que lhe rendeu reconhecimento como atriz revelação. No mesmo período, chegou à televisão pela TV Tupi, participando da novela “Um Lugar ao Sol”. Poucos anos depois, também se destacou no cinema ao integrar o elenco de “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte, produção brasileira que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962.
Foi, porém, na televisão que Glória Menezes se transformou em um dos rostos mais conhecidos do País. Na Globo, estreou em 1967 como Doña Sol, protagonista de “Sangue e Areia”, ao lado de Tarcísio Meira. Ao longo das décadas seguintes, participou de mais de 40 telenovelas na emissora e esteve em produções que entraram para a história da televisão brasileira.
Entre os trabalhos de maior destaque estão “Irmãos Coragem”, “O Homem que Deve Morrer”, “Cavalo de Aço”, “O Semideus”, “O Grito”, “Espelho Mágico”, “Pai Herói”, “Jogo da Vida”, “Guerra dos Sexos”, “Brega & Chique”, “Rainha da Sucata”, “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino”, “A Favorita” e “Totalmente Demais”. A variedade de personagens permitiu que transitasse entre heroínas, mulheres sofisticadas, personagens de humor e vilãs, consolidando sua versatilidade artística.
Em “Rainha da Sucata”, exibida em 1990, Glória viveu Laurinha Figueiroa, uma das personagens mais marcantes de sua carreira e uma das vilãs lembradas da teledramaturgia nacional. Já em produções como “Guerra dos Sexos”, mostrou sua força também na comédia. Seu último trabalho em novela foi “Totalmente Demais”, exibida entre 2015 e 2016.
A trajetória profissional de Glória Menezes também ficou profundamente associada à vida ao lado de Tarcísio Meira. Os dois formaram um dos casais mais emblemáticos da televisão brasileira, dentro e fora das telas. Contracenaram pela primeira vez no início dos anos 1960 e se casaram pouco depois, permanecendo juntos por quase seis décadas. Dessa união nasceu o ator Tarcísio Filho.
Na televisão, a parceria dos dois atravessou gerações. Além das novelas, ganharam em 1988 o programa “Tarcísio & Glória”, criado especialmente para a dupla. Mais tarde voltaram a dividir cenas em produções como “Páginas da Vida” e “A Favorita”. O casamento terminou apenas com a morte de Tarcísio Meira, em 12 de agosto de 2021, em decorrência de complicações da Covid-19. Glória também havia contraído a doença naquele período, mas se recuperou.
Nos últimos anos, a atriz passou a levar uma rotina mais reservada no Rio de Janeiro, próxima da família. Uma semana antes de sua morte, seu nome voltou a ser celebrado pela Globo: Glória recebeu uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo em homenagem à sua trajetória. Ela não compareceu à cerimônia realizada em 12 de agosto e foi representada pelo filho, Tarcísio Filho. Segundo ele, a mãe ficaria especialmente emocionada pela homenagem coincidir com os cinco anos da morte de Tarcísio Meira.
A morte provocou manifestações de colegas que dividiram com ela décadas de televisão. Tony Ramos, que contracenou com Glória em produções como “Pai Herói” e “Rainha da Sucata”, afirmou que o Brasil perdeu uma de suas maiores atrizes e uma referência para a profissão.
Com a morte de Glória Menezes, a dramaturgia brasileira perde uma de suas principais representantes de uma geração que acompanhou a própria formação da televisão no País. Sua trajetória atravessou o teleteatro, o surgimento das novelas diárias, a consolidação dos grandes folhetins nacionais e mais de meio século de transformações na indústria audiovisual. O conjunto de personagens construídos no palco, no cinema e, sobretudo, na televisão deixa seu nome definitivamente ligado à história da cultura brasileira.























