
A Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal de São Carlos e a Polícia Militar iniciaram uma articulação para fortalecer a rede de atendimento às vítimas de violência doméstica no município. Em reunião com o capitão da PM Fábio Rissato, foram discutidas medidas para integrar os diferentes órgãos envolvidos, aprimorar o fluxo de encaminhamento dos casos e garantir que as mulheres recebam acolhimento e acompanhamento desde o primeiro pedido de ajuda até as etapas posteriores de proteção.
O encontro reuniu integrantes da Procuradoria Especial da Mulher e teve como foco a criação de mecanismos que aproximem segurança pública, assistência social, saúde, educação, sistema de Justiça e demais instituições que atuam direta ou indiretamente no enfrentamento à violência contra a mulher.
Segundo dados apresentados durante a reunião, São Carlos registrou aproximadamente 600 chamados relacionados à violência doméstica em 2025. Desse total, cerca de 10% teriam resultado em representação formal. Os números foram utilizados no encontro para reforçar a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de acolhimento e acompanhamento das vítimas, especialmente nos casos em que a mulher procura ajuda, mas não prossegue posteriormente com os procedimentos formais.
A procuradora especial da Mulher, vereadora Raquel Auxiliadora, afirmou que a integração entre os diferentes setores é fundamental para evitar que a vítima fique desassistida ao longo do processo.
“A Procuradoria tem justamente essa missão de contribuir para o fortalecimento das políticas públicas e aproximar os órgãos que fazem parte dessa rede de proteção. O trabalho conjunto é fundamental para que a mulher vítima de violência tenha acolhimento e segurança em todos os momentos”, afirmou.
REDE INTEGRADA
Durante o encontro, o capitão Fábio Rissato apresentou experiências desenvolvidas na região de Ribeirão Preto e alternativas adotadas para organizar o atendimento às vítimas. A discussão considerou a possibilidade de estruturar um fluxo integrado que acompanhe a mulher desde a ocorrência inicial até o acesso aos demais serviços de proteção.
A proposta prevê a participação de diferentes instituições e setores, entre eles Prefeitura, Ministério Público, Secretaria de Assistência Social, Câmara Municipal, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), unidades de saúde, rede de ensino, forças de segurança e demais serviços vinculados à prevenção e ao enfrentamento da violência doméstica.
A articulação pretende reduzir falhas de comunicação entre os órgãos e evitar que a vítima tenha de procurar isoladamente cada serviço necessário. A intenção é estabelecer procedimentos capazes de facilitar encaminhamentos e garantir continuidade no atendimento.
CAPACITAÇÃO DOS PROFISSIONAIS
Outro ponto debatido foi a necessidade de capacitação permanente dos profissionais que mantêm contato com mulheres em situação de violência.
A vereadora Fernanda Castelano defendeu que trabalhadores de diferentes áreas estejam preparados tanto para reconhecer sinais de violência quanto para realizar os encaminhamentos necessários.
“Precisamos garantir que todos os setores estejam preparados para identificar situações de violência e atuar de maneira integrada. A união entre assistência social, saúde, segurança e demais áreas é essencial para oferecer uma resposta mais efetiva às mulheres”, afirmou.
A capacitação é considerada importante principalmente porque a denúncia policial nem sempre é a primeira forma pela qual uma situação de violência chega ao conhecimento do poder público. Escolas, unidades de saúde e serviços de assistência social também podem identificar casos durante atendimentos realizados à mulher ou à família.
IMPACTO SOBRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
A vereadora Larissa Camargo chamou atenção para os reflexos da violência doméstica sobre crianças e adolescentes que vivem no mesmo ambiente.
“A violência não atinge somente a mulher. Muitas vezes, os filhos também carregam consequências emocionais e sociais desse ambiente. Por isso, a rede precisa estar preparada para atender toda a família”, disse.
A discussão inclui, dessa forma, a necessidade de que os equipamentos públicos estejam preparados não apenas para proteger a vítima direta, mas também para identificar possíveis consequências sobre filhos e outros integrantes do núcleo familiar.
SAÚDE COMO PORTA DE ENTRADA
A participação dos serviços de saúde também foi apontada como estratégica. A vereadora Cidinha do Oncológico destacou que hospitais, unidades básicas de saúde e outros equipamentos frequentemente recebem mulheres que apresentam consequências físicas ou emocionais de situações de violência.
A proposta discutida é avançar na criação e padronização de protocolos entre saúde, segurança pública e assistência social, permitindo que sinais de violência sejam identificados precocemente e que a mulher seja encaminhada aos serviços adequados de forma mais rápida.
A integração também busca estabelecer referências claras para os profissionais sobre quais providências devem ser adotadas diante de uma suspeita ou confirmação de violência doméstica.
POLÍTICA PERMANENTE
A reunião integra as ações da Procuradoria Especial da Mulher voltadas à formulação e ao acompanhamento de políticas públicas para mulheres em São Carlos. A proposta é que o diálogo entre as instituições resulte em medidas permanentes e não apenas em ações isoladas.
Entre os objetivos estão ampliar o acolhimento, facilitar o acesso aos serviços públicos, melhorar o acompanhamento dos casos e oferecer condições para que mulheres em situação de violência possam procurar ajuda com maior segurança.
A articulação deverá continuar envolvendo diferentes instituições do município para definir responsabilidades, estabelecer protocolos e aperfeiçoar o fluxo de atendimento. A expectativa é construir uma rede na qual segurança, saúde, assistência social, educação e sistema de Justiça atuem de maneira coordenada, reduzindo lacunas no atendimento e ampliando a proteção às vítimas e suas famílias.

























