O radialista e jornalista José Carlos Magdalena anunciou na manhã desta sexta-feira (10), sua saída da rádio EP FM durante uma fala em que atribuiu a decisão a uma escolha pessoal, motivada pelo desejo de não envolver a emissora em suas opiniões e críticas sobre religião. Ao longo do pronunciamento, ele fez questão de destacar que a rádio agiu de forma ética e respeitosa diante do conflito gerado por suas declarações, afirmando que a empresa apenas manifestou discordância em relação ao seu ponto de vista, sem impor censura ao seu trabalho.
Segundo Magdalena, a decisão de deixar o programa foi tomada para preservar a emissora, seus colegas de trabalho e a direção da empresa. Em sua fala, ele afirmou que continuará defendendo publicamente suas convicções, mas agora por meio das redes sociais. O jornalista disse ainda que não pretende recuar de suas posições e que considera mais adequado separar suas manifestações pessoais da atividade profissional desenvolvida no rádio.
Durante o pronunciamento, José Carlos Magdalena dirigiu duras críticas a setores religiosos e a líderes que, segundo ele, utilizam a fé para explorar pessoas em situação de vulnerabilidade. Ele também citou divergências pessoais em relação a trechos bíblicos e à forma como determinados temas são tratados por segmentos religiosos, deixando claro que pretende aprofundar esse debate fora da emissora, em ambiente sob sua responsabilidade direta.
Ao encerrar a fala, o radialista agradeceu aos ouvintes, anunciantes e companheiros de trabalho, reiterando que a EPFM não teve responsabilidade por sua decisão. Ele afirmou que a direção da emissora também foi surpreendida pelo anúncio e indicou que ainda deverá conversar com a empresa sobre os desdobramentos de sua saída. O episódio repercute por envolver um nome conhecido do rádio e por expor, de forma pública, um rompimento motivado por convicções pessoais e editoriais.
Vamos ao fato
Após a forte repercussão negativa causada por declarações contra a Bíblia e ataques ao campo religioso, José Carlos Magdalena fez um pedido público de desculpas na tarde desta quarta-feira, 8. Em live transmitida pelas redes sociais, ele afirmou que a retratação não ocorreu por pressão externa, mas por decisão de consciência, e reconheceu ter errado ao atingir cristãos, a Igreja Católica e pessoas que usam a Bíblia com sinceridade.
No pronunciamento, Magdalena declarou que sua intenção inicial era direcionar críticas a pessoas que, segundo ele, deturpam a Bíblia por interesses pessoais, políticos ou financeiros, mas admitiu que acabou “errando a mira” e atingindo de maneira indevida fiéis e religiosos. Ele afirmou que “exagerou demais na dose”, disse que “pisou na jaca” e reforçou mais de uma vez que estava pedindo perdão aos que se sentiram ofendidos por sua fala.
O comunicador também buscou contextualizar a retratação afirmando que acredita em Deus, reza todas as noites e é leitor da Bíblia. Segundo ele, a decisão de pedir desculpas foi reforçada após conversas com a própria família, que também o criticou pela declaração anterior. Magdalena disse ainda que já havia feito um pedido de desculpas no rádio durante a manhã, mas considerou necessário reforçar publicamente a retratação em sua live da tarde.
A repercussão do caso ganhou peso com a manifestação oficial da Diocese de São Carlos. Em nota divulgada nesta terça-feira, 7 de abril, e assinada por Dom Luiz Carlos Dias, a Diocese afirmou que as declarações atribuídas ao jornalista durante o Jornal da EP FM foram “altamente agressivas” contra as religiões e a Bíblia, classificando o episódio como ofensivo à fé cristã e incompatível com a responsabilidade exigida no exercício da comunicação pública. A nota também expressou “profundo pesar e veemente repúdio” às falas.
No documento, a Diocese sustentou que as declarações desconsideraram o papel das religiões na orientação moral, espiritual e social das pessoas e atingiram diretamente os valores dos fiéis da Diocese de São Carlos. O texto também afirma que tratar com escárnio as religiões e um livro sagrado representa um ato de desrespeito, ferindo não apenas os cristãos, mas princípios constitucionais ligados à liberdade de crença. A manifestação ainda faz um apelo para que o debate público seja conduzido com diálogo, paz, respeito e responsabilidade.
Mesmo ao se retratar, Magdalena voltou a criticar vereadores e adversários políticos, dizendo que parte deles aproveitou seu erro para fazer ataques nas redes sociais. Em sua fala, afirmou que aceita ser cobrado pela declaração equivocada, mas passou a acusar agentes públicos de omissão diante de outros problemas da cidade e de supostas irregularidades administrativas. Assim, a live acabou misturando o pedido de perdão com novas críticas ao ambiente político local.
Ainda assim, o eixo central da transmissão foi a tentativa de retratação. Ao final, ele reiterou o pedido de desculpas aos cristãos, afirmou novamente que reconhece o erro cometido e disse ter humildade para pedir perdão “quantas vezes precisar”. Também voltou a afirmar que sua crítica, segundo sua versão, não era dirigida à fé em si, mas a pessoas que, em sua avaliação, usam a religião para fins indevidos.



















