
O método Wolbachia será incorporado às ações de combate à dengue em São Carlos, com previsão de início da liberação dos mosquitos em outubro. A estratégia foi apresentada nesta quinta-feira, 27 de agosto, durante o São Carlos Experience, em encontro promovido pela Secretaria Municipal de Saúde no auditório da Santa Casa, com participação de agentes de endemias e profissionais da área.
A palestra foi conduzida pelo gerente de implementação da Wolbito do Brasil, Gabriel Sylvestre, que explicou o funcionamento da tecnologia. “O método Wolbachia utiliza o próprio mosquito Aedes aegypti, que recebe a bactéria Wolbachia, capaz de impedir a transmissão de vírus como dengue, zika e chikungunya. O mosquito não é transgênico e o método é considerado seguro para a população, os animais e o meio ambiente”, afirmou.
Segundo Sylvestre, a estratégia não substitui as ações tradicionais de combate ao vetor. “A ideia é reduzir a quantidade de mosquitos e, por isso, o combate ao vetor deve continuar. O mosquito com Wolbachia não é diferente visualmente dos demais e pode ser eliminado normalmente”, destacou. A tecnologia já é utilizada em 16 países e, no Brasil, está presente em mais de 50 cidades por meio do Ministério da Saúde e da Fiocruz.
Resultados apresentados durante o encontro indicam redução de 96% dos casos de dengue na Austrália, 77% na Indonésia e 86% no Vietnã. No Brasil, estudos registraram queda de 89% dos casos em Niterói e de 63% em Campo Grande. A estratégia também é considerada autossustentável porque a bactéria é transmitida da fêmea para seus descendentes. “A Wolbachia é passada da fêmea para seus descendentes, permitindo que as novas gerações de mosquitos também carreguem essa proteção”, explicou Sylvestre.
A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, informou que São Carlos está atualmente na fase de engajamento comunitário. O trabalho consiste em apresentar à população o funcionamento e a segurança da tecnologia antes do início da liberação dos mosquitos. “A tecnologia, a vigilância, a ciência e a participação da população precisam caminhar juntas no enfrentamento à dengue”, afirmou.
Além da Wolbachia, o município continuará utilizando visitas aos imóveis, drones e ovitrampas para monitoramento do Aedes aegypti. A incorporação da nova ferramenta ocorre em um cenário de atenção diante da previsão de temperaturas elevadas e aumento das chuvas, condições que favorecem a proliferação do mosquito.
O secretário municipal de Saúde, Leandro Pilha, destacou que a implantação conta com respaldo do Ministério da Saúde e da Fiocruz e é resultado de mais de 12 anos de pesquisas científicas. “O trabalho de campo dos agentes de combate às endemias continuará sendo fundamental. A estratégia Wolbachia vem para ampliar e fortalecer as ferramentas de prevenção e controle das arboviroses”, afirmou.
São Carlos foi uma das três cidades do Estado de São Paulo selecionadas para receber a iniciativa em 2026, com base nos índices de infestação registrados em 2025. Naquele ano, o município teve 31.095 notificações de dengue, 20.384 casos positivos e 24 óbitos. Também foram confirmados cinco casos de chikungunya, enquanto todas as 563 notificações de zika foram descartadas e houve um óbito confirmado por febre amarela.
Em 2026, São Carlos registra até o momento 414 casos confirmados de dengue, sem mortes. Foram descartados 194 casos de chikungunya, 179 de zika e dois de febre amarela. A expectativa da Secretaria Municipal de Saúde é que a Wolbachia passe a integrar de forma permanente o conjunto de ações de prevenção e controle das arboviroses no município.


























