PAULO MELLO
A manifestação em frente à Prefeitura de Ibaté, na tarde desta sexta-feira, 27, terminou do jeito que a cidade mais ganha: com diálogo. O grupo entrou no gabinete, sentou à mesa e conversou por horas com o prefeito Ronaldo Venturi (PSD). Isso, por si, já diz muito sobre maturidade política.
Mas o ponto central está antes da reunião. Está na decisão de organizar, convocar, sustentar uma pauta e bancar a exposição pública. Kaue Alexandre, Thainá Felix e Jorge Azevedo fizeram o que muita gente reclama nas redes, mas poucos têm coragem de fazer na vida real: ir até o poder público, olhar no olho e pedir explicações.
Organizar uma mobilização não é só puxar cartaz. É assumir responsabilidade. É avisar, planejar, orientar, evitar confusão, segurar a ansiedade do momento. É lidar com pressões, críticas, desconfiança e, ainda assim, manter o foco. Quem já tentou sabe: é fácil perder o controle. Eles não perderam.
Thainá trouxe um mérito extra: deu forma a uma demanda que costuma ficar invisível. A pauta do autismo, nas cidades pequenas e médias, quase sempre aparece quando a família já está exausta. Ao transformar relatos soltos em uma lista de reivindicações, ela ajudou a organizar o problema e a empurrá-lo para onde deve estar: no centro das prioridades.
Jorge Azevedo, ao falar como pai, fez o que uma democracia saudável pede. Tirou o debate do campo do “ouvi dizer” e colocou a experiência na mesa. Pode-se concordar ou discordar de diagnósticos e caminhos, mas ninguém deveria ignorar a legitimidade de quem convive diariamente com as falhas do serviço.
Kaue, como articulador, soma nesse mesmo eixo: o da mobilização responsável. A cidade precisa de gente que constrói ponte, não de quem acende fogo para colher curtida. Quando há organização e propósito, a cobrança deixa de ser barulho e vira instrumento.
Também é justo reconhecer a atitude do prefeito ao abrir as portas, chamar secretários e sustentar uma conversa longa. O poder público não é uma fortaleza. É um lugar de prestação de contas. Receber, explicar e se comprometer com encaminhamentos é o mínimo esperado — e, justamente por isso, merece ser registrado quando acontece.
O que não pode ocupar o espaço dessa cena é o ruído típico de temporada eleitoral: torcida, boato, ataque automático. Esse tipo de jogo não melhora posto de saúde, não encurta fila, não cria terapia para quem precisa. Só transforma dor em palanque.
Ibaté viu, na prática, um caminho melhor: cidadãos organizados, pauta clara e governo ouvindo. Kaue Alexandre, Thainá Felix e Jorge Azevedo mostraram que dá para cobrar sem destruir. E que dá para discordar sem desumanizar. A cidade tem muito a ganhar quando esse é o tom. E, particularmente, fico feliz em ver que a juventude não está morta!!
(*) O autor é jornalista [Mtb 87176/SP], apresentador do Primeira Página no Ar da São Carlos FM e diretor geral do portal Região em Destake


















