Trabalhador havia procurado atendimento na segunda-feira (5), depois de sofrer um corte profundo no antebraço
Um trabalhador rural de 42 anos denunciou à Polícia Civil ter sido agredido por um médico dentro do Hospital Municipal de Ibaté na manhã de quinta-feira (8). Segundo o boletim de ocorrência, o paciente teria recebido um golpe conhecido como “mata-leão”, seguido de socos e chutes na cabeça e em uma das pernas, depois de questionar a quantidade de dias de afastamento concedida em um atestado médico. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Ibaté, e o trabalhador passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de São Carlos.
De acordo com o termo de declarações apresentado à reportagem, o trabalhador havia procurado atendimento na segunda-feira (5), depois de sofrer um corte profundo no antebraço enquanto afiava uma ferramenta. O ferimento exigiu cerca de dez pontos, e o paciente recebeu atestado de dois dias. Como continuava com dificuldade para movimentar a mão, voltou à unidade na quinta-feira (8), preocupado com a possibilidade de não conseguir trabalhar no corte de cana-de-açúcar.
Durante o novo atendimento, conforme a versão do paciente, o médico perguntou se ele sentia dores. O trabalhador respondeu que não, mas explicou que a mobilidade da mão continuava comprometida por causa do ferimento. O profissional teria prescrito uma medicação injetável e, depois, informado que concederia apenas um dia de afastamento.
O paciente afirma que questionou a decisão, argumentando que sua atividade exige esforço físico e que não teria condições de voltar ao trabalho no dia seguinte. Segundo o depoimento, o médico teria reagido amassando o atestado e dito que ele poderia retirar apenas uma declaração de comparecimento na recepção.
Ainda conforme o registro policial, o trabalhador deixou a sala e pegou o celular para ligar para o irmão quando teria sido surpreendido pelo médico. Segundo a denúncia do paciente, o profissional teria aplicado um golpe por trás, imobilizado o paciente pelo pescoço e o derrubado no chão. Em seguida, teria desferido socos e chutes contra ele.
O trabalhador declarou que não conseguiu reagir e que a situação só terminou com a intervenção de um funcionário da unidade, que teria ouvido os gritos e separado os envolvidos. Ele também negou ter ameaçado, ofendido ou gravado o médico ou outros funcionários. Depois do episódio, as partes foram encaminhadas à Delegacia de Polícia de Ibaté com acompanhamento da Guarda Civil Municipal.

“Nunca esperava passar por isso dentro de um hospital”
Em relato encaminhado à reportagem, o paciente disse que ficou emocionalmente abalado com o episódio. Segundo ele, a discussão começou exclusivamente por causa do período de afastamento, que considerou insuficiente diante das condições do braço.
“Eu falei: doutor, como é que eu vou conseguir trabalhar com oito a dez pontos no braço? Você conseguiria trabalhar assim? Foi essa a conversa. Depois, quando menos esperei, ele chegou por trás e me deu um mata-leão”, declarou.
O trabalhador afirmou ainda que foi derrubado e agredido enquanto estava com o braço machucado. “Começou a me dar socos e chutes. Eu não consegui fazer nada. Depois entrou gente e tiraram ele de cima de mim. Eu nunca esperava passar por uma situação dessas dentro de um hospital”, relatou.
Ele disse que pretende buscar a responsabilização pelo ocorrido. “Eu falei na delegacia e falo em qualquer lugar. Estou falando a verdade. A gente vai ao hospital porque precisa de atendimento. Não é certo passar por uma situação dessas”, afirmou.
Laudo do IML registra lesões leves
A documentação encaminhada ao Região em Destake inclui o laudo de exame de corpo de delito do IML de São Carlos, elaborado em 8 de outubro. O documento registra lesões corporais de natureza leve na região da cabeça e aponta ação de agente contundente. O laudo também descreve o ferimento no antebraço esquerdo, com cerca de 7 centímetros de sutura, que corresponde ao corte sofrido pelo trabalhador na segunda-feira (5), antes do atendimento em questão.
O laudo documenta os ferimentos identificados na perícia, mas não estabelece, por si só, a autoria das lesões nem comprova as circunstâncias narradas pelo paciente.
O material apresentado à reportagem não permite confirmar se houve abertura de inquérito policial, indiciamento ou outras providências posteriores.

Prefeitura e hospital foram procurados
O Região em Destake solicitou posicionamento à assessoria de imprensa da Prefeitura de Ibaté e à direção do Hospital Municipal por meio de mensagens enviadas via WhatsApp na tarde desta sexta-feira (9). Até o fechamento desta reportagem, não houve manifestação sobre o episódio.
As informações sobre a suposta agressão representam exclusivamente a versão do paciente, conforme o depoimento à Polícia Civil e o relato encaminhado ao portal. A reportagem não teve acesso à versão do médico citado na ocorrência.
O Região em Destake permanece à disposição da Prefeitura de Ibaté, da direção do Hospital Municipal, do profissional envolvido e de seus representantes para esclarecimentos e manifestações, que serão incorporados a esta reportagem.

























