
A Prefeitura de Ibaté confirmou o afastamento preventivo de um médico terceirizado envolvido em um episódio de suposta agressão a um paciente no Hospital e Maternidade Municipal, ocorrido na quinta-feira (8). Em nota oficial divulgada à imprensa, a administração municipal informou que o profissional foi afastado desde o dia da ocorrência e não continuará prestando atendimento ao município enquanto os fatos forem apurados pelos órgãos competentes.
O posicionamento foi apresentado após a denúncia de um trabalhador rural de 42 anos, que procurou a Polícia Civil alegando ter sido agredido pelo médico durante um atendimento no Pronto Atendimento Municipal. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Ibaté e divulgado pelo portal Região em Destake neste sábado (10).
Segundo o relato do paciente à Polícia Civil, a situação começou após um desentendimento sobre a quantidade de dias de afastamento concedida em um atestado médico. O trabalhador havia sofrido um corte no antebraço na segunda-feira (5) e retornou ao hospital na quinta-feira (8), alegando dificuldades para movimentar a mão e exercer suas atividades profissionais.
Conforme a denúncia, depois de questionar o período de afastamento, o paciente teria sido surpreendido pelo médico fora da sala de atendimento. O trabalhador afirmou ter recebido um golpe de imobilização pelo pescoço, conhecido como “mata-leão”, seguido de socos e chutes. Ele declarou que a situação terminou após a intervenção de um funcionário da unidade.
O paciente passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de São Carlos. De acordo com a documentação apresentada ao Região em Destake, o laudo identificou lesões corporais leves na região da cabeça, além de registrar o ferimento anterior no antebraço. O documento confirma a existência das lesões constatadas, mas não estabelece, isoladamente, a autoria nem as circunstâncias em que ocorreram.
Prefeitura repudia violência e confirma afastamento
Na nota de esclarecimento, a Prefeitura de Ibaté afirmou repudiar qualquer forma de violência, desrespeito ou comportamento incompatível com o ambiente hospitalar, especialmente em um espaço destinado ao atendimento e à preservação da vida.
A administração ressaltou que as unidades de saúde devem oferecer segurança tanto aos pacientes e acompanhantes quanto aos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais profissionais que atuam no atendimento à população.
A Prefeitura também esclareceu que o médico envolvido não integra diretamente o quadro de servidores municipais, mas presta serviços ao município por meio de contratação terceirizada.
“Como uma das medidas já adotadas, o médico foi afastado preventivamente desde o dia do ocorrido e não continuará prestando atendimento ao município de Ibaté, até que os fatos sejam devidamente apurados pelos órgãos competentes”, informou a administração municipal.
Hospital terá protocolos de segurança reavaliados
Além do afastamento, a Prefeitura anunciou que os protocolos e as medidas de segurança do Hospital e Maternidade Municipal serão reavaliados e aprimorados. O objetivo, segundo a nota, é prevenir novas ocorrências e oferecer maior proteção às pessoas que circulam ou trabalham no estabelecimento.
A manifestação oficial representa o primeiro posicionamento da administração sobre o caso após a solicitação de esclarecimentos encaminhada pelo Região em Destake à Prefeitura e à direção do hospital na sexta-feira (9).
Apesar de confirmar a medida administrativa, a nota não apresenta uma conclusão sobre a dinâmica do episódio, nem informa prazo para a conclusão da apuração. Também não esclarece se foi instaurado procedimento administrativo específico para investigar a conduta do profissional.
O afastamento preventivo não representa, por si só, uma conclusão de responsabilidade. A denúncia permanece sujeita à apuração pelas autoridades competentes, com respeito ao direito de defesa e à presunção de inocência. Até o momento, o material disponibilizado à reportagem não inclui a versão do médico.
O caso levanta questionamentos sobre a segurança dos usuários e dos profissionais que atuam na rede pública de saúde de Ibaté. A apuração dos fatos e a adoção das medidas anunciadas serão importantes para esclarecer o episódio e fortalecer a confiança da população no atendimento hospitalar.
O Região em Destake permanece à disposição do profissional médico envolvido e de seus representantes para esclarecimentos e manifestações.
Confira a nota na íntegra:
NOTA DE ESCLARECIMENTO À IMPRENSA
A Prefeitura Municipal de Ibaté, através da equipe gestora do Hospital e Maternidade Municipal de Ibaté, vem a público prestar esclarecimentos sobre o lamentável episódio ocorrido em 08 de outubro de 2026, nas dependências do Hospital, envolvendo um médico e um paciente que se encontravam no Pronto Atendimento.
A Administração repudia veementemente qualquer forma de violência, desrespeito ou comportamento incompatível com o ambiente hospitalar, especialmente em um local destinado ao acolhimento, à assistência e à preservação da vida. Não compactuamos com atos de violência, tampouco com qualquer situação que ultrapasse os limites do respeito, do diálogo e da convivência profissional.
Ressaltamos que o hospital deve ser um ambiente seguro para todos, incluindo pacientes, acompanhantes, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais colaboradores que diariamente se dedicam a cuidar da população de Ibaté.
Esclarecemos que se trata de um médico terceirizado que presta serviços para a Prefeitura Municipal. Como uma das medidas já adotadas, o médico foi afastado preventivamente desde o dia do ocorrido e não continuará prestando atendimento ao município de Ibaté, até que os fatos sejam devidamente apurados pelos órgãos competentes.
Paralelamente, serão reavaliados e aprimorados os protocolos e as medidas de segurança da unidade, com o objetivo de prevenir novas ocorrências e garantir maior proteção a todos que circulam e trabalham no hospital.
Nosso compromisso permanece firme com a qualidade da assistência, a segurança dos pacientes e a integridade dos profissionais.
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