
PAULO MELLO
A discussão sobre a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) ganhou novos contornos durante a sessão da Câmara Municipal desta terça-feira (27). O vereador Paraná Filho (PP) saiu em defesa de Sérgio Rocha (PRD), apresentou fotografias de supostas pichações no campus e questionou comportamentos atribuídos a integrantes da comunidade universitária. As declarações provocaram reação do vereador Ronaldo Mota (PSOL), resultando em um confronto verbal que exigiu a intervenção da presidência do Legislativo.
Paraná Filho afirmou que reconhece a importância da UFSCar para São Carlos e para o Brasil, especialmente nas áreas de pesquisa científica, tecnologia e formação profissional. Segundo ele, porém, o reconhecimento da qualidade acadêmica não impede que eventuais problemas ocorridos nas dependências da universidade sejam questionados.
Durante o pronunciamento, o parlamentar exibiu imagens de inscrições em paredes que, conforme afirmou, estavam localizadas no interior da instituição. Entre as mensagens mencionadas, havia manifestações políticas e frases ofensivas à Polícia Militar. Paraná sustentou que espaços públicos não devem ser utilizados para propaganda político-partidária.
“Não é lugar para militância política. Nem de esquerda, nem de direita”, declarou. O vereador argumentou que a universidade é mantida com recursos públicos e deve respeitar pessoas de diferentes posições ideológicas.
Paraná também mencionou supostos episódios de consumo e comercialização de drogas, além de outras condutas que considera inadequadas ao ambiente acadêmico. As alegações não foram acompanhadas, durante a manifestação, de documentação que permitisse verificar as ocorrências específicas. O parlamentar questionou ainda a atuação de representantes da comunidade universitária diante dos problemas que relatou.
Ao encerrar sua manifestação, declarou apoio a Sérgio Rocha. Segundo Paraná, o colega pode ter utilizado uma expressão inadequada, mas teria razão ao questionar determinadas situações. O vereador também afirmou que as críticas não devem ser confundidas com uma tentativa de desqualificar os resultados científicos e educacionais da universidade.
A reação mais contundente ocorreu durante a fala de Ronaldo Mota. O parlamentar do PSOL classificou como inadequada a utilização de fotografias de pichações para sustentar críticas amplas aos estudantes e afirmou que problemas de segurança ou conservação patrimonial não podem servir de justificativa para generalizações.
Mota utilizou expressões como “covardes” e “nojenta” ao contestar a forma como o debate estava sendo conduzido. Paraná Filho reagiu, provocando interrupções sucessivas. A presidência em exercício, comandada por Tiago de Jesus, precisou intervir, cobrar respeito ao Regimento Interno e garantir o tempo de pronunciamento.
Posteriormente, Ronaldo Mota esclareceu que suas críticas se referiam à maneira como os argumentos haviam sido apresentados, e não à condição pessoal dos vereadores. Paraná Filho voltou a contestá-lo durante aparte concedido por Sérgio Rocha, defendendo que divergências ideológicas sejam discutidas sem desqualificações.
O episódio expôs a divisão entre os parlamentares sobre os limites das manifestações políticas no ambiente universitário. Também evidenciou a necessidade de distinguir críticas relacionadas à conservação do patrimônio público de acusações que dependem de apuração e comprovação, especialmente quando envolvem possíveis práticas criminosas.


























