
PAULO MELLO
A polêmica envolvendo a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) voltou à Câmara Municipal nesta terça-feira (27), quando o vereador Sérgio Rocha (PRD) reafirmou críticas ao comportamento de parte dos estudantes da instituição. Durante a sessão ordinária, o parlamentar retirou a expressão “terroristas”, utilizada na semana anterior, mas manteve acusações relacionadas a militância política, pichações, festas e suposto tráfico de drogas no ambiente universitário.
A controvérsia começou durante a sessão de 20 de outubro, quando Rocha fez declarações que provocaram reações de integrantes da comunidade acadêmica e de outros parlamentares. Na ocasião, o vereador questionou comportamentos que atribuiu a determinados estudantes e utilizou o termo “terroristas”, considerado ofensivo por representantes da universidade.
Ao voltar ao assunto, Rocha afirmou que suas declarações não foram direcionadas à UFSCar como instituição. Segundo ele, as críticas atingem uma minoria de estudantes que, em sua avaliação, prejudica a imagem da universidade. O parlamentar destacou a importância da instituição na formação de engenheiros, médicos e profissionais de diferentes áreas.
“Eu jamais ataquei a instituição Universidade Federal. Eu tenho o maior respeito por essa entidade”, declarou durante aparte concedido pelo vereador Gustavo Pozzi (PP).
Rocha reconheceu que exagerou ao utilizar a expressão que deu origem à controvérsia. “Talvez o que eu exagerei um pouco foi quando usei a palavra terrorista. Eu tiro o terrorista da minha palavra”, afirmou. Apesar disso, sustentou que não pretende retirar as demais críticas.
Durante o pronunciamento, o vereador exibiu fotografias que, segundo ele, mostravam pichações na entrada da UFSCar. Também mencionou uma reportagem da TV Record sobre acontecimentos envolvendo estudantes e eventos universitários. O parlamentar defendeu que a administração da instituição oriente os alunos a preservar o patrimônio público.
Em outro momento da sessão, Rocha voltou à tribuna e insistiu que suas declarações não representavam uma condenação coletiva dos universitários. Ele afirmou que a UFSCar é uma instituição de referência e reconheceu sua contribuição para o desenvolvimento científico e profissional do país.
As acusações relacionadas ao tráfico de drogas e à participação de estudantes nas pichações, entretanto, não foram acompanhadas, nos pronunciamentos analisados, de documentos ou registros oficiais que permitissem confirmar os episódios específicos mencionados pelo vereador.
A repercussão das declarações levou a Reitoria da UFSCar a informar, após a sessão anterior, que acionou sua Procuradoria Federal para avaliar possíveis medidas administrativas e judiciais. O episódio mantém em discussão os limites da crítica parlamentar e a responsabilidade sobre acusações dirigidas à comunidade universitária.

























