PAULO MELLO
A Prefeitura de São Carlos apresentou no início da tarde desta quarta-feira (15) uma nova proposta aos servidores municipais e passou a aguardar a avaliação da categoria em assembleia. Após a reunião com representantes do sindicato, o prefeito Netto Donato (PP) afirmou que a administração voltou a demonstrar disposição para o diálogo, mas ressaltou que qualquer avanço precisa respeitar os limites legais e a responsabilidade na gestão do dinheiro público.
Segundo o prefeito, a proposta mantém a reposição inflacionária pelo IPCA e amplia o tíquete-refeição em R$ 120, elevando o valor para R$ 1.320,00 para todos os servidores, indistintamente. Netto reconheceu que existe, por parte da categoria, o desejo de obter ganhos maiores, mas ponderou que, neste momento, a Prefeitura não consegue conceder aumento real no salário base de forma legal e financeiramente responsável. Em contrapartida, destacou que a administração buscou garantir ganho real no ticket, apontado por ele como uma medida concreta de valorização do funcionalismo.
Outro ponto central da proposta é o compromisso assumido pela administração de encaminhar, no segundo semestre deste ano, o projeto do Plano de Carreira do Servidor à Câmara Municipal, com implantação prevista para 1º de janeiro de 2027. Netto afirmou que o tema é uma reivindicação histórica dos servidores e disse já ter alinhado o assunto com vereadores da base, que, segundo ele, têm ciência e concordância com o trabalho em andamento. O prefeito sustentou que cabe ao governo entregar essa estrutura de carreira ao funcionalismo municipal depois de décadas sem ter sido resolvida.
Na área dos benefícios, a administração também confirmou a manutenção da cesta básica, recuando da substituição pelo vale-alimentação. Conforme o prefeito, a decisão respeita a posição manifestada pela maioria dos servidores e pelo sindicato, que indicaram preferência pela continuidade do modelo atual. O valor que seria empregado na mudança foi revertido para reforçar o ticket, o que permitiu chegar à nova oferta apresentada na reunião desta quarta-feira.
Sobre os dias parados durante a greve, Netto Donato afirmou que a compensação será discutida entre os setores jurídicos e administrativos da Prefeitura e do sindicato. Ele explicou que a legislação não permite simplesmente desconsiderar as ausências, mas sinalizou a construção de um entendimento para reposição dos dias, especialmente em áreas com possibilidade de ajuste. O prefeito citou impactos provocados pela paralisação, como três dias com mais de 10 mil crianças fora das escolas e a perda potencial de alimentos da merenda, parte deles doados a entidades assistenciais e asilos para evitar desperdício.
Pelo lado do sindicato, o vice-presidente do Sindspam, Lucinei Custódio, deu ênfase especial ao que classificou como um ponto sensível para os servidores: a possibilidade de compensação dos dias parados, sem desconto imediato nos vencimentos. Segundo ele, esse aspecto representa não apenas um avanço administrativo, mas também um reconhecimento do direito legal de manifestação dos trabalhadores, assegurado pela Constituição. Lucinei observou que, mesmo em um ambiente marcado por tensão e momentos acalorados, o gesto da Prefeitura sinaliza um passo importante para além da discussão puramente numérica.
O dirigente sindical também afirmou que a nova proposta será levada à assembleia da categoria e adiantou que pretende atuar pessoalmente para defendê-la junto aos servidores. Embora tenha reconhecido que não é possível garantir a aprovação do texto por uma assembleia numerosa e soberana, Lucinei deixou claro que o entendimento construído na reunião abre caminho para uma possível saída negociada. Ele ainda destacou que, havendo acordo, a expectativa é que também se avance no encerramento das questões judicializadas relacionadas ao movimento, o que pode ajudar a pacificar o cenário e permitir a retomada da normalidade nas relações entre Prefeitura e funcionalismo.


















