O proprietário da área rural em Ibaté, onde dezenas de animais foram encontrados mortos e mais de 140 acabaram resgatados em situação de abandono, pronunciou-se oficialmente sobre o caso. Em nota pública de esclarecimento, Cláudio José Lopes negou ter conhecimento das condições degradantes no local e atribuiu a responsabilidade a um funcionário contratado especificamente para a manutenção da propriedade.
Segundo Cláudio, a criação de animais era mantida há mais de 27 anos, sem finalidade comercial. Ele afirma que a atividade sempre foi desenvolvida por apreço aos animais e que, ao longo de quase três décadas, dedicou recursos, tempo e cuidados constantes à manutenção da propriedade e ao bem-estar dos animais existentes no local.
Na nota, o proprietário relata que, no final de 2025, precisou permanecer nos Estados Unidos por compromissos profissionais e, por esse motivo, contratou um funcionário para residir na propriedade rural. De acordo com ele, o trabalhador ficou responsável pela guarda, alimentação, cuidados diários dos animais e vigilância do espaço.
Cláudio afirma que o funcionário recebia remuneração regularmente, utilizava um veículo disponibilizado para o desempenho das atividades e mantinha contato frequente por mensagens, fotografias, vídeos e relatórios. Segundo o proprietário, essas comunicações indicavam, aparentemente, que os animais estavam sendo assistidos de forma adequada.
O proprietário também informou que esteve pessoalmente no Brasil durante o mês de janeiro de 2026 e acompanhou a rotina da propriedade. Conforme a nota, naquele período ele não constatou qualquer situação que pudesse indicar abandono, negligência ou risco aos animais. Após retornar aos Estados Unidos, diz ter continuado a receber informações periódicas de que tudo permanecia em ordem.
Ainda segundo o comunicado, Cláudio afirma que em nenhum momento foi informado sobre impossibilidade de continuidade do trabalho, necessidade de substituição do funcionário, falta de recursos, ausência de alimentação, problemas com os animais ou qualquer circunstância que exigisse intervenção imediata. Ele também declarou possuir registros de pagamentos, comprovantes de compra de alimentos e insumos, além de mensagens nas quais o responsável pela propriedade informava que a situação estava normal.
O proprietário disse ter recebido com “enorme tristeza e absoluta surpresa” a notícia sobre as condições encontradas no local. Segundo ele, a descoberta foi impactante, assim como para as pessoas que tiveram acesso às imagens e informações divulgadas.
Na nota, Cláudio afirma que, de acordo com informações das autoridades responsáveis pela ocorrência, o funcionário encarregado da propriedade foi preso em flagrante e teria assumido perante a autoridade policial a responsabilidade pelos cuidados da fazenda e dos animais durante o período em que o proprietário permaneceu fora do país.
O comunicado sustenta que os fatos apurados até o momento indicam que a situação encontrada não correspondia às informações repassadas diariamente ao proprietário. Para Cláudio, essa circunstância reforça seu desconhecimento sobre o que efetivamente ocorria na propriedade rural.
“Quero deixar registrado que jamais autorizei, participei, incentivei ou tive conhecimento prévio de qualquer conduta que pudesse causar sofrimento aos animais. Caso tivesse sido informado sobre qualquer irregularidade, teria adotado imediatamente todas as medidas necessárias para proteger os animais e substituir o responsável”, afirmou.
Cláudio também destacou que os animais mantidos na propriedade faziam parte de sua vida, muitos deles criados há anos, com nomes, histórico conhecido e vínculo afetivo com as pessoas que frequentavam o local. Ele afirmou que a perda dos animais representa não apenas prejuízo material, mas também uma profunda dor pessoal.
No documento, o proprietário repudia qualquer forma de maus-tratos contra animais e afirma confiar no trabalho das autoridades policiais, do Ministério Público e do Poder Judiciário para que os fatos sejam esclarecidos, as responsabilidades sejam individualizadas e a verdade seja reconhecida.
Cláudio disse que permanecerá à disposição das autoridades para apresentar documentos, incluindo comprovantes de pagamentos, registros de comunicação, fotografias, vídeos, notas fiscais de aquisição de alimentos e demais elementos que, segundo ele, demonstram a adoção de medidas para garantir o cuidado dos animais durante sua ausência.
Ao final da nota, o proprietário afirmou que sua prioridade, neste momento, é colaborar com as investigações, reconstruir a propriedade, garantir a proteção dos animais sobreviventes e honrar a memória dos que foram perdidos. A apuração do caso deverá indicar as circunstâncias da ocorrência e a responsabilidade de cada envolvido.

























