Paulo Mello, da redação
A Santa Casa de Misericórdia de São Carlos vive uma fase de expansão na assistência, no ensino e na oncologia. Em entrevista ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, na manhã desta segunda-feira (1º), o provedor Antônio Valério Morilas Jr., o Bezinho, disse que a instituição foi certificada pelos ministérios da Saúde e da Educação como hospital de ensino, reconhecimento que consolida investimentos feitos ao longo dos últimos anos e fortalece a cidade como polo regional de saúde.
Segundo ele, a Santa Casa mantém hoje 91 médicos residentes de várias partes do Brasil, recebe profissionais da América Latina para capacitação em novas técnicas cirúrgicas e conta com 280 alunos em internato de Medicina, além de cursos internos, Escola de Formação de Técnico de Enfermagem e parcerias acadêmicas, inclusive com a USP (Universidade de São Paulo). Para o provedor, a nova certificação também abre portas para mais subsídios, convênios e projetos ligados à formação e à inovação em saúde.
Bezinho afirmou ainda que o crescimento de mais de 5% no número de cirurgias em 2025 reflete tanto o aumento da demanda quanto a ampliação da capacidade operacional da Santa Casa. Segundo ele, a complexidade dos atendimentos faz com que o hospital receba pacientes não só de São Carlos e da região, mas também de outras partes do Estado, especialmente em áreas como neurologia, cardiologia e cirurgias de alta complexidade. A expectativa, segundo o dirigente, é que a instituição avance também para a realização de transplantes.
Outro destaque da entrevista foi a inauguração do OncoNova Câncer Center, prevista para o dia 10 deste mês, com pré-confirmação da presença do governador Tarcísio de Freitas. De acordo com Bezinho, o novo centro vai centralizar o atendimento oncológico em um único espaço, concentrando consultas, exames e procedimentos, o que deve reduzir burocracias e acelerar o início do tratamento. Ele ressaltou que o serviço será totalmente da própria Santa Casa e faz parte de um movimento de internalização de estruturas que antes funcionavam em parceria. Também anunciou a chegada de um novo sistema de radioterapia com acelerador linear, classificado por ele como um dos mais modernos do mundo.
Na avaliação do provedor, São Carlos já é referência no tratamento do câncer, com capacidade para atender cerca de 90% dos tipos de câncer. Ele disse que ainda existe na população a percepção de que os pacientes precisam buscar tratamento em centros como Barretos e Jaú, mas afirmou que grande parte dos atendimentos já é feita no município. O plano agora é avançar ainda mais, com a construção futura de uma torre voltada ao câncer e a criação de um centro de pesquisas clínicas em parceria com a USP, o que pode transformar a cidade também em referência em pesquisa oncológica.
Apesar dos avanços, Bezinho reconheceu que a Santa Casa ainda enfrenta gargalos importantes. O principal, segundo ele, é a falta de leitos, problema que chegou a provocar o cancelamento de cirurgias eletivas recentemente, sobretudo em períodos de maior pressão sobre as internações, como no inverno. Em 2025, o hospital já soma mais de 308 mil atendimentos, o que amplia a exigência sobre a estrutura disponível.
Na área financeira, o provedor classificou a tabela SUS Paulista como um divisor de águas, mas disse que os repasses continuam defasados diante da alta dos custos com medicamentos, insumos e pessoal. Segundo ele, a instituição reivindica ao governo estadual um extra teto de quase R$ 500 mil por mês, valor referente a atendimentos realizados acima do limite financiado. Bezinho lembrou ainda que, antes da implantação da tabela paulista, a Santa Casa operava com déficit mensal de cerca de R$ 2 milhões.
Questionado sobre política, Bezinho disse que não tem vinculação partidária e que, enquanto estiver à frente da Santa Casa, o foco segue sendo a saúde. Ainda assim, não descartou totalmente uma eventual candidatura futura a prefeito, afirmando que quer continuar ajudando São Carlos e que a experiência na gestão hospitalar também exige diálogo constante com deputados, secretários e governos. No fim da entrevista, ele agradeceu o apoio do poder público, das doações da população e da imprensa, além de pedir compreensão dos usuários diante das limitações enfrentadas pelo hospital.

















